Enlatando bandas de axé

Maldita ressaca!

Qual o sentido da quarta-feira de cinzas? Pergunto porque não sou católica e nunca me lembro de perguntar isso a alguém, pois só me lembro quando ela acontece. É feriado? Por que as escolas não funcionam e os bancos só abrem à tarde? Por que eu tenho que trabalhar o dia todo?

Se o carnaval é a festa da carne, as cinzas são da brasa? Piadinha infame, eu sei. Mas vamos ao que interessa.

Não gosto de carnaval, e a maioria dos meus amigos partilham desta opinião. Mesmo assim, domingo eu e uma amiga resolvemos deixar nossos maridos cuidando de nossas filhas em casa e sair um pouco para curtir. Carnaval pra mim é na rua, com marchinha e batuque. Mas isso só na minha terra natal. O jeito foi encontrar a melhor festa da cidade. Não foi lá aquela maravilha mas deu pro gasto. Depois de tanto dançar e prestar muita atenção ao show (infelizmente não sei o nome da banda), de aprender algumas dancinhas ensaiadas, a festa acabou, debaixo de chuva e voltamos para casa.

A ressaca foi só de cansaço mesmo, estou enferrujada, há anos não saio para dançar. Para mim já estava bom, o carnaval poderia ter acabado ali, mas faltavam ainda dois dias. No dia seguinte, como não ia dormir mesmo por causa do barulho, arrumei um joguinho inútil (que mais tarde farei um post) e passei a madrugada toda. E nem que eu quisesse conseguiria deixar de ouvir o som da festa. Foi então que percebi que a sequência das músicas era exatamente igual à do dia anterior. Até o “arrastão” que criaram para a música Arerê, da Ivete Sangalo, foi igual, a adaptação de Tindolelê também. Ficou a dúvida: seria a mesma banda?

A dúvida persistiu, mas também não me interessei mais por isso. Já era terça-feira e eu tinha muito com o que me preocupar além disso. Mais uma vez o meu sagrado sono foi perturbado pelo som da festa e não dormi quase a noite toda. E não para o meu espanto, as músicas novamente foram as mesmas, na mesma sequência, com as mesmas alterações.

Dúvida esclarecida: eram bandas diferentes. Então surgiu outra dúvida: será que existe uma escola para formação de bandas de axé? Um cursinho? De onde vem tanta originalidade? Será que na Bahia isso acontece também?

Fiquei ainda mais feliz de não ter gasto meu rico dinheirinho saindo outra vez. Se eu quisesse dançar as mesmas músicas, na mesma sequência, era só fazer uma festa em casa e tocar meus DVD’s, que são muito mais variados que essas bandas.

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