Realidade cultural do Brasil: só vendo para crer

Primeiro dia de aula na faculdade. Nenhum trote, nenhum sinal de “boas vindas” à bixarada. Das duas vezes que eu poderia tomar trote, uma quando entrei na escola técnica e agora na faculdade, nenhuma delas existiu realmente uma ameaça, nenhuma reação dos “veteranos”. Um pouco de trote é bom, faz com que os alunos se conheçam, cria-se uma amizade entre eles. Nada exagerado, claro. Já tive amigos que tomaram trotes horríveis que poderiam ter conseqüências graves. Mas faltou desta vez, até me deu vontade de experimentar.

Passada expectativa da entrada, hora de achar a sala. Nada muito difícil, meus amigos logo me indicaram o lugar certo, sem brincadeiras de mau gosto. Logo estava eu dentro da sala, observando os meus colegas, e me sentindo uma velha. Logo mais saberão por que.

Além de parecerem colegiais, aqueles garotos deixam claro a idade que têm. Eu, aos 18 anos, morava fora de casa há 3 e estava à procura do meu primeiro emprego de verdade, algo que se tornaria minha carreira. É visível que a maioria deles ainda vive sob a proteção dos pais e dependendo de mesadas, mal sabendo o que estão fazendo naquele lugar. Não os culpo, tudo é uma questão de escolha, nem a minha nem a deles estão erradas.

Início da aula, apresentação do professor e a matéria não poderia ser mais sugestiva: Tópicos Humanísticos (??). Para quem está cursando Sistemas de Informação, nada mais sugestivo. O professor pareceu ser muito legal, logo de cara deixou bem claro como as coisas funcionam para ele. Tirando a sociologia e a filosofia que serão tratadas, questões atuais não me preocupam.

Para conhecer os alunos, algumas perguntas, desde a cidade de onde vieram, até se sabem andar de bicicleta.

Tá, mas até aí, o que tem a ver o assunto com o título do post?

Eis a questão. O professor pergunta aos alunos o que é “Caucus“. Opa! Essa nem eu sei… então vamos para a segunda: quem dos presentes leu pelo menos 10 livros nos últimos 2 anos (24 meses, menos de 1 livro a cada dois meses)? Somente eu? Quem escreveu mais de 5 cartas durante o mesmo tempo? Eu de novo? Quem fala ou sabe um pouco de alguma língua que não seja o português? (Tá, eu arranho no espanhol e o inglês deixo a desejar). Quem lê pelo menos um jornal semanalmente? Desisto, não levanto mais a mão. Deve ser mesmo a idade. Estou ficando velha, e sem paciência para essa garotada.

Todos esses alunos (tirando alguns, como eu que passaram com a nota do ENEM), acabaram de prestar um vestibular, se prepararam para isso, estudaram para estar ali. Como podem não saber nada sobre atualidades, ler alguns livros? O que fizeram todo este tempo? Estudando apenas física, química, biologia? Se eles, que estavam se preparando para um desafio nem sequer atingiram esses números, quem dirá aqueles que estão longe de conseguir fazer uma faculdade, de prestar um vestibular.

Eu acreditava que as coisas estavam melhorando, principalmente neste mundo universitário. Me enganei. É por isso que eu admiro pessoas como o André Gazola, do Lendo.org, blog que recomendo. Um cara muito inteligente e com boas idéias. Tenho que confessar que me espantei com a idade dele.

Ainda guardo uma esperança de que isso possa mudar. E logo. Antes que eu fique velhinha de verdade.

[UPDATE] O link para o blog Lendo.org estava errado. Já corrigido.

2 comentários em “Realidade cultural do Brasil: só vendo para crer”

  1. Realmente, acho que perdi o foco ficando tanto tempo sem estudar. Mas se tem uma coisa que não me falta é paciência, o que vai me ajudar muito.Obrigada pelo elogio e espero que tenha gostado do blog.

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