Aborto: ainda há muito o que se discutir

Tá aí um assunto que me incomoda, que me dá arrepios. Este é o assunto deste post no Papo de Homem.

Pergunta:
“Aparentemente fizemos merda e minha namorada esta grávida, ainda não fizemos o teste (beta hcg) e se der certo de hoje não passa. (…)

Acredito que salvar a vida é o mais importante então todos os procedimentos devem ser tomados mesmo o aborto sendo ilegal. Mas e depois o médico é obrigado a denunciar um aborto?

Não preciso nem dizer que estou ficando doido com isso já, né?”

– Anônimo

É para ficar doido? Claaaaaaaaaro que é. Ainda não contei aqui mas passei pela mesma situação. Fiquei grávida aos 20 anos, de um relacionamento estável que dura até hoje. Mas mesmo assim o fato foi uma bomba. Eu estava me preparando para prestar vestibular, sonhava em fazer uma universidade pública, UNICAMP talvez, UNIFEI, estava fazendo cursinho. E de repente a notícia.

Em momento algum pensamos em aborto, fomos maduros o suficiente para perceber que toda aquela situação era resultado da nossa atitude. Estávamos cansados de saber que uma gravidez era possível, mas nos arriscávamos. Quem tem que arcar com as conseqüências? Nós.

Aborto é contra lei? Sim, assim como matar também é. Tudo depende muito do ponto de vista e o Estado serve para estabelecer um senso comum. Não adianta dizer que o Estado está te obrigando a ter um filho, ninguém te obrigou a fazer.

O Estado é falho? Talvez. Permitir que garotas que mal entraram na casa dos 20 tenham meia dúzia de filhos e que em sua maioria mal tem condições de criá-los, também é questionável. Mas quem vai impedi-las? Uma laqueadura só é possível após os 25 anos e se a mãe tiver 2 filhos ou mais. Sem contar a burocracia – veja mais neste artigo do Dr. Dráuzio Varella.

Políticas como o Bolsa Família incentivam as famílias mais pobre a terem mais filhos. Eles não se importam com o futuro, têm que se preocupar com o presente, com a sobrevivência.

Mulheres que fazem aborto geralmente são esclarecidas, sabem exatamente o que têm que fazer para evitar, mesmo assim acham que “isso não vai acontecer com elas”. Tá na chuva é pra se molhar. Das que conheço, todas têm conhecimento de contraceptivos e reconhecem que falharam.

Outra questão discutível é o tempo em que o feto passaria a ter uma “vida”. Sete dias? Doze semanas? Tanto faz. Uma criança passa a existir apenas quando é emitida sua certidão de nascimento. Considerar qual a idade para se ter uma “alma” é muito complicado. Quando tratamos de vida espiritual, tudo fica mais complexo.

O que dizer dos prematuros, das crianças com problemas cerebrais? A lei permite, em caso de risco à gestante, que seja feito o aborto, acompanhada de medico especialista. E o risco de quem faz clandestinamente? Pior do que fazer um aborto é ser mal-sucedido e conviver com o erro para sempre.

Quem quer fazer tem que analisar todas as possibilidades, ser um pouco menos egoísta. Nossa vida vira de cabeça para baixo, mas nada que não tenha solução. Hoje, após 5 anos eu voltei a estudar, não mais pensando em ter uma carreira brilhante e ganhar muito dinheiro. Meu objetivo maior é fazer pela minha filha muito mais do que meus pais fizeram por mim. Tarefa difícil, pois tudo que tenho vem deles. Tenho uma carreira quase encaminhada e continuo lutando para chegar onde quero.

Ninguém nasce sabendo ser pai, só vamos descobrir se fomos bem sucedidos quando não tiver mais como voltar atrás. Mas nada pode pagar os melhores momentos ao lado de uma criança, seus gestos sem malícia e sua devoção aos que ama. Ser mãe talvez seja a melhor coisa que acontece na vida de uma mulher. Um amor ímpar, que não será encontrado em nenhum outro lugar nem em outro ser.

Não me arrependo da escolha que fiz, todos os dias tenho a certeza de que foi o melhor. E eu dou o máximo de mim para que seja sempre assim.


PS: talvez as idéias não tenham ficado claras, este assunto mexe demais comigo, portanto, sinta-se à vontade para discutir.

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