Natal chegando

É, o fim do ano chegou. De novo. E pra variar ainda não comprei nenhum enfeite para a casa. Por mais que a Sofia já tenha cobrado, não animei, ao contrário dela, que está toda empolgada com a chegada do Papai Noel. Escreveu a cartinha, lacrou o envelope e foi aos Correios postar. E nós nem lemos.


Agora é torcer para o Papai Noel receber logo essa carta e não errar o endereço. É na vovó Pereira, viu Papai Noel!!

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Receita de Ano Novo

Sou apaixonada por Carlos Drummond de Andrade. Além de um excelente poeta, é mineiro. Sua paixão pelo estado o fez abandoná-lo por causa de uma briga com a Vale do Rio Doce, alegando que a empresa estava destruindo a cidade de Itabira. O que não deixa de ser verdade. Mas não precisava trocar pelo Rio de Janeiro. Tudo bem, ele continuou amando seu estado natal e escrevendo poemas fascinantes.

Neste fim de ano a EPTV, afiliada da Globo no sul de Minas, fez uma propaganda com, nada mais, nada menos que Lima Duarte (outro mineiro apaixonado) como narrador. O poema: Receita de Ano Novo, de Drummond. Mais um texto belíssimo que merece ser aplaudido. O cara era bão messs…


RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade