O importante é se comunicar?

Quando eu estava no terceiro ano do ensino médio, minha professora de português/literatura disse uma frase para a turma que me incomodou profundamente e que me fez rever muitos dos conceitos que tinha. Resumidamente, ela disse que hoje não existe mais certo e errado para a escrita, que o importante é a informação ser passada, que a comunicação é a prioridade.

Pois bem, o fato é que eu sempre fui muito crítica com relação à língua portuguesa. Não quer dizer que eu saiba todas as regras e que escreva corretamente sempre, mas procuro não errar. Nunca tive interesse em estudar letras, mesmo porque a disciplina português nunca me agradou, seja pelo método de ensino, seja pela postura dos professores. O meu forte sempre foi a matemática.

Imagine a quebra de paradigma que esta professora não fez em mim? Primeiro eu relutei em aceitar esta informação, mesmo porque não tinha base nenhuma. Isso aconteceu em 2001 e as pessoas mal conheciam internet, faltava muito para a invenção do miguxês.

Sempre gostei de ler autores como Machado de Assis, Camilo Castelo Branco, entre outros da mesma época. Gosto da maioria dos autores romancistas. Para mim, a leitura dos clássicos da literatura nacional era uma diversão. Dom Casmurro, Amor de Perdição, Esaú e Jacó, O Guarani, enfim, clássico é clássico e merece ser lido antes de ser discutido.

Quando li estes livros, eu devia estar entre a 5ª e a 7ª série. Sempre tive exemplos de leitores em casa e a quantidade de livros disponíveis me despertou o interesse que não perdi até hoje. Me acostumei ao tipo de escrita, que sempre foi defendida pelas minhas professoras. Menos por uma.

Meus colegas sempre reclamavam e as professoras diziam que era importante ler para conhecer a história, afinal, uma nação é construída baseando-se no seu passado. Aprender sobre o passado daria uma garantia maior de um futuro mais correto.

O problema é que a maioria não liga para o passado, seja histórico, seja literário ou artístico. Só que eles se esquecem que nada existe simplesmente por existir, houve uma série de fatos que levaram ao que temos hoje, principalmente na escrita.

Se os alunos têm dificuldade em aprender a língua portuguesa é porque a metodologia de ensino não explica a origem do idioma. Seria tão mais fácil, como já foi comprovado, se essa postura existisse. Não vou me aprofundar neste assunto porque aqui temos outra discussão que não faz parte deste post, mas em breve eu retomarei.

O que se vê agora é que as pessoas não se importam mais com o certo e errado, simplesmente fazem. Se foi entendido, ótimo. Senão, tentam de outra forma. A quantidade de pessoas que escreve errado é assustadora. Erros absurdos, totalmente sem noção. Outro fator preocupante é a quantidade de pessoas que consegue identificar o erro, cada vez menor.

Sinceramente, eu ainda continuo duvidando dessa minha professora, mesmo depois de todos esses anos e de tantos exemplos. Prefiro continuar tentando acertar.

Agora vou propor um desafio: conte quantos erros existem neste post e escreva nos comentários. Espero que ache muitos, assim vou poder dormir tranquila!

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2 comentários em “O importante é se comunicar?”

  1. Olá. Concordo com você. E vi algumas coisas em seu texto.
    Vou escrevendo à medida que for lendo, tudo bem?

    No início, penso que “o importante é comunicar”, não é?
    A barra não é indicada. Melhor se fosse “português e literatura”. Como ambas são áreas, quem sabe iniciar com maiúscula não ficaria melhor?
    Você sempre foi crítica “com relação à língua portuguesa” ou “em relação ao uso da língua portuguesa”?
    Mais uma vez você citou “letras”. Usando o mesmo argumento que escrevi, melhor “Letras”.
    Por “postura dos professores” você quis dizer que eles eram curvados demais? Sentavam de pernas abertas? Eram corcundas?
    Como você falou da professora no início do texto, “essa” professora não quebrou o paradigma em você. Ela pode ter proporcionado você “quebrar” o paradigma.
    Me desculpe, mas o Camilo Castelo Branco ali ficou, além de criativo, muito engraçado! Oferece uma boa confusão ao leitor desavisado. Parabéns!
    Você leu “esses” livros, não foi?
    Melhor “despertou meu interesse” a “me despertou o interesse”.
    Ler para conhecer a História, nossa História.
    Metodologia é o estudo do método. Talves a dificuldade em aprender língua portuguesa seja o método de ensino dos professores, que não é uma postura.
    A discussão que você rejeita fazer não faz parte desse texto, já que temos alternativa à palavra inglesa “post”.
    “Erros sem noção”. Algum erro tem noção? Explique isso…
    O que é cada vez menor, a quantidade de pessoas que identifica o erro ou o erro?

    Essas são minhas poucas contribuições, já que não sou especialista na área.
    Um abraço!

    1. Olá, Jean.

      Fico muito feliz em receber seus comentários. Portanto, vou responder alguns de seus questionamentos.

      Quanto ao uso de barra para enumerar as áreas de atuação da professora, realmente, ficou parecendo uma coisa ou outra, o que na verdade deveria ser as duas coisas. Sobre os demais “erros”, considero-os vícios da linguagem, não estou isenta de tê-los. =)

      A “postura” que eu digo é em relação ao comprometimento no ensino da língua. Vejo que em todas as áreas existem profissionais que não querem necessariamente dar o melhor de si, na escola pública esta situação é mais visível, uma vez que os professores são concursados e veem seus cargos garantidos, mesmo que não façam bem seu trabalho. Quem sai perdendo sempre é o aluno. Tenho muitos professores na família (mãe, tias, primos) e presenciei de muito perto os problemas enfrentados, desde o descaso até as “panelinhas” e “rixas”, até mesmo a discussão de uma professora com uma diretora, que queria entrar na sala sem permissão e simplesmente resolveram bater boca na nossa frente. Resultado disso? Nenhum, além de uma conversa da classe com a delegada de ensino, que deixou claro que era para todos ficarem de bico calado.

      Procuro falar sempre daquilo que tenho conhecimento. Com os livros não é diferente. Não li todos os que gostaria, mas os que cito foram, sim, lidos. Como disse no texto, é preciso ler antes de discutir. Não posso propor uma discussão sem conhecimento de causa, não é mesmo? 😉

      Erros são erros e ponto. Mas existem os absurdos, ou não existiriam as “pérolas do Enem”, tão amplamente divulgadas na internet. Coisas que realmente nos chamam a atenção po serem muito óbvias.

      Agradeço muito pelas suas observações e também gostaria de lembrá-lo que não sou especialista, apenas gosto de incitar uma discussão.

      Fique à vontade para propor discussões quando achar oportuno.

      Thaís

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