Dia de luto

Hoje é um dia triste. Alguém especial já não está mais aqui. Apesar de acreditar que está muito melhor, nos deixou saudade.

Descanse em paz, tia Alice. 😥

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã,
chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

(De Rosemary Urquico.
Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura)

Fonte: recebido por email de Milena Rezende

PS.: Este texto é facilmente encontrado na internet, mas me identifiquei. Me vi namorando a livraria, me lembrei das minhas idas à biblioteca e da lista de livros que desejo e que ainda não posso comprar.

Cantando em Prolog

Se tem uma raça de programador pior do que o bobo-alegre eu não conheço. Mas eu confesso: sou uma programadora boba-alegre.

Mas o que isso quer dizer?

Duas características principais de um programador bobo-alegre:

1. Bater palminhas quando chegam ao resultado esperado.

Sim, eu faço isso, por mais ridículo que seja, eu faço. Mas não é de maldade. Programar é como brincar de Lego, você junta as bibliotecas, procura uma função que faça o que você precisa, faz um esquema (algoritmo) e pronto! Se tudo correr bem (o que nem sempre acontece), você consegue fazer o seu código rodar.

Para quem é técnico em eletrônica (como eu), já deve ter passado pela emoção de fazer um pisca-pisca. Ver aqueles dois leds piscando é a maior emoção do mundo! Compilar um código sem erros então? Dá vontade de chorar de amoção.. =)

O legal está no fato de você saber que realmente aprendeu algo, isso não tem preço. É por isso que eu comemoro.

2. Conversar com o código.

Euzinha bato altos papos com as linhas, variáveis. São praticamente minhas amigas. Quanto mais eu vou programando, mais amigos eu faço.

Tudo bem que tem certas horas que um ou outro resolve encrencar comigo e esconder o jogo, mas nada que um jeitinho não resolva.

Explicado? Às vezes nem eu mesma entendo. Só sei que gosto de programação e é isso que me faz feliz no trabalho.

Tá, mas o que tudo isso tem a ver com o título desse post?

Simples. Nas aulas de Inteligência Artificial, estamos estudando Prolog. Um paradigma, digamos, ímpar. A tarefa desta semana era fazer um código que “cantasse” a música do elefante (sabe, aquela que incomoda a gente?).

Desafio extra, já que eu perdi muitas aulas e nem um simples if-then-else eu sabia fazer. Mas desafio é desafio e é isso que me anima.

Depois de alguns minutos e da super ajuda do Pai dos Internautas e Programadores Aflitos Google, eis que surge o código abaixo:

cante(Y):-cante(1,Y).
cante(X,Y):-X=<Y,
	(Z is X mod 2,
	(Z=1 -> impar(X); par(X)),
	 X1 is X+1, 
	 cante(X1,Y)).

impar(X):-write(X), (X is 1 -> write(' elefante incomoda muita gente\n');
				write(' elefantes incomodam muita gente\n')).

par(X):-write(X), write(' elefantes'), not(incomoda(X)), write(' muito mais\n').

incomoda(Y):-incomoda(1,Y).
incomoda(X,Y):-X=<Y,
	(write(' incomodam'),
	X1 is X+1,
	incomoda(X1,Y)).

O código é simples, usa recursividade para a contagem dos elefantes e outro laço recursivo para a impressão dos “incômodos”.
Para executar o código, basta chamar a função cante() passando como argumento a quantidade de “elefantes” desejada.

That’s it!

Parabéns Cachoeira de Minas

Minha terrinha faz hoje (01/06) 87 anos de emancipação política. Terra boa, de gente boa e de comida boa. Apesar de estar próxima, sinto muita falta de lá, da tranquilidade, dos passeios pelas ruas, da ventania.

Cachoeira de Minas já foi tema de muitas músicas, uma inclusive chama-se 1º de Junho. Não me lembro dela inteira, mas o refrão era assim:

(…) Piraquara do Sapucaí
Caboclinha de Minas Gerais
Caboclinha bem brasileira, mineira, uai
És de Minas Gerais. (…)

O hino da cidade, como não poderia ser diferente, canta o orgulho que sentimos por nascermos numa terra tão abençoada:

(…) És a estrela formosa que esplende
E o teu povo se orgulha de ti
Desde que Inácio da Costa Rezende
Fez-te às margens do Sapucaí

Zé Helder, cantor de música de raiz, um dos filhos da cidade, canta a cidade em seus versos:

No rio em que eu aprendi a nadar, oi
Tinha mandi que se pegava no tapa
Eu aprendi a nadar foi no Sapucaí Mirim
Em Cachoeira de Minas
Eu aprendi a nadar, oi
Em rio que se pegava mandi a tapa
Eu aprendi a nadar
Foi no Sapucaí Mirim em Cachoeira de Minas
Mas o mandi foi-se embora
Subiu para desovar, não voltou
Um ralador de mandioca
Foi quem meu rio envenenou
Manipueira!
É veneno, mata os peixes, fede mais que
um jatobá
Manipueira!
Pega essa sua mandioca e vai ralar em outro lugar

Para fechar, obviamente, não poderia faltar um por do sol maravilhoso, que me faz pensar todos os dias nos bons momentos que tive por lá, e que espero brevemente tê-los em demasia.