Resenha: a máquina de fazer espanhóis

Dizem que os bons livros são aqueles que não queremos terminar. Aconteceu comigo com “A Menina que Roubava Livros” e aconteceu com este.

Ganhei este livro no Natal de 2011. A leitura foi bem recomendada, mas eu nunca tinha ouvido falar do autor. Fiquei impressionada principalmente pela bela capa da edição, o que geralmente é garantia de uma boa história. Mas demorei seis meses para terminar.

O tema não poderia ser mais propício para o momento: a velhice. Como já escrevi em outro post, tenho pensado muito sobre a terceira idade.

O romance tem como personagem principal antonio silva, um ex-barbeiro prestes a se tornar viúvo. Com uma família aparentemente perfeita e uma vida sossegada, à qual dedicou todos os seus anos de vida, ele se vê à beira de um abismo com a morte da mulher. Para piorar a situação, os filhos decidem interná-lo em um asilo.

É notório o desenvolvimento da personagem entre uma página e outra, tentando se adaptar à nova vida e construir um breve futuro, criando laços de amizade profundos, mesmo que a contragosto. Aquele não era seu mundo, ainda não era sua hora de envelhecer. Mas assim aconteceu, era necessário aceitar e mudar para não se entregar à morte.

Repleto de personagens ricos e bem explorados, “a máquina de fazer espanhóis”  é uma narrativa não linear, mesclando fatos recentes com as memórias do silva, que nos permite entender a sua angústia e a transformação ao longo do tempo.

Uma obra elogiada por José Saramago não deve ser nada menos que uma obra prima. E assim é. valter hugo mãe (propositadamente escrito em minúsculas, como a narrativa de seus romances) é um autor angolano de 41 anos que se utiliza dos mesmos recursos que Saramago em “Ensaio sobre a cegueira”: pouco diálogo direto. Outra característica marcante do autor é a ausência de maiúsculas. A leitura fica um pouco cansativa, mas não menos cativante.

“valter hugo mãe acha que as maiúsculas são uma ‘sinalética’ que só atrapalha a leitura. ‘Simplificando, sintáctica e graficamente, chegamos a uma escrita mais próxima do modo como falamos’, justifica. ‘As pessoas não falam com maiúsculas’ “.

Leia mais em: http://visao.sapo.pt/as-grandes-minusculas-de-valter-hugo-mae=f545016#ixzz2GLFmlZRJ

Um livro sobre a vida, ou o fim dela. Um comparativo com a sociedade portuguesa, com tantos anos de vida e abandonada à sorte, sem esperança de futuro, sendo invadida por espanhóis e seu modo de vida.

É preciso saber mais sobre a história portuguesa para entender a profundeza da obra, coisa que não tive disposição em fazer. Li muitas resenhas depois de terminá-lo e percebi que muitos chegaram a se aprofundar, o que nos ajuda a compreender melhor a visão de valter hugo mãe. Eu preferi focar no romance e na dissertação, que por si só é primorosa.

“a máquina de fazer espanhóis” é uma obra que me deixou sem palavras. Não tenho como apresentar aqui o que senti ao ler. Posso apenas dizer que foi um dos melhores livros que já li até hoje.

Preciso agradecer novamente ao marido.

Recomendadíssimo!

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Um comentário em “Resenha: a máquina de fazer espanhóis”

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