Resenha: A Visita Cruel do Tempo

Livros que ganham prêmios, seja o Pulitzer ou o Jabuti, por exemplo, sempre me deixam ressabiada. Um livro premiado não necessariamente é um livro bom, que me agrade. Em compensação, se for para arriscar, entre um livro vencedor de um prêmio e um best seller, costumo ficar com o primeiro. Por quê? Simples, meu gosto costuma não bater com o da maioria. Isso pode soar meio arrogante, mas já disse aqui muitas vezes que sou mais fã de um clássico da literatura nacional do que das obras contemporâneas, salvo exceções.

Capa_AvisitaCruelDoTempo-web

Premiado com o Pulitzer em 2011, “A Visita Cruel do Tempo” é o tipo de livro que, quando você começa a ler, se pergunta qual o objetivo daquilo tudo. É um apanhado de várias histórias que se intercalam, repletas de sexo, drogas e rock’n’roll, umas contadas em primeira pessoa, outras em terceira, cada qual sob a ótica de uma personagem.

Algo que o marido me chamou a atenção e que quase passou despercebido, é o fato de que a cada mudança de ponto de vista, muda-se também o estilo. É bem sutil, mas deixa a obra ainda mais intensa, bem similar ao que George R. R. Martin faz em suas Crônicas de Gelo e Fogo (não resisti à comparação).

O livro não é cronológico, a narrativa da autora, Jennifer Egan, é baseada em memórias, portanto há a necessidade de uma atenção redobrada para não se perder.

A capa, reproduzida nesta resenha, particularmente me agradou. Além do material impresso pela Editora Intrínseca, a arte também ficou muito bacana, captando bem a essência da história. Achei muito melhor do que a edição americana.

Falando mais sobre a história, no início da leitura eu até me empolguei, Sasha e Bennie Salazar prometeram muito desde o início. Mas do meio para o fim, comecei a sentir um desânimo, talvez pelo fato das demais personagens não terem tanta empatia quanto os primeiros. Ou ainda devido ao tema, que bem ou mal, nos faz repensar a própria vida.

Relutei muito antes de escrever sobre este livro, primeiro porque foi uma leitura densa e segundo porque me senti intimidada pela minha própria história. Ao mesmo tempo, esses dois fatores foram decisivos para eu mudar de opinião, passei o final de semana todo remoendo o que li e procurando em mim um pouco de cada personagem.

Apesar de não ter uma idade tão avançada, reconheço que a vida que sonhei passa longe da que tenho hoje. Frustrações, desencontros, responsabilidades, tudo isso faz parte do amadurecimento de cada um e muitas vezes não se encaixam nos sonhos da adolescência. Somos fruto das nossas decisões, acredito piamente que as escolhas nos transformam e os únicos responsáveis por isso somos nós. Muito fácil tentar colocar a culpa em quem não tem nada a ver.

Olho para trás e percebo que cada um que me fez mal, cada amigo que me magoou, cada “não” recebido foi essencial para me transformar no que sou hoje. No fim das contas, tenho que agradecê-los pelo favor prestado.

Update: minha avaliação 4

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