Versão Thaís 3.0 instalada com sucesso!

Aeeee.. parabéns para mim!

Comemorar aniversário é uma coisa muito estranha. Passei pela infância achando que era uma data especial para, na adolescência, descobrir que nada mais era que um dia como outro qualquer. Muito frustrante, como quase tudo nessa fase.

O negócio é que eu não sei comemorar aniversário. Nunca sei se devo fazer alarde, como uma prima, que faz questão de dizer a todos “hoje é meu aniversário”, ou se fico na minha. A escolha geralmente é pela segunda opção.

Mas espera aí.. aniversário não é uma data para se comemorar? E que graça tem em se comemorar sozinho?

Mesmo assim eu me sinto incomodada quando alguém vem me dar um abraço simplesmente porque é meu aniversário, mas sei que em outra situação qualquer nem chegaria perto.

Se tem algo que eu não tolero mais do que a hipocrisia ainda não descobri. Dar os parabéns para uma pessoa que você ignora ou que simplesmente não gosta, para mim, é hipocrisia. Facebook está aí para provar isso. Quantas pessoas você envia mensagem de feliz aniversário? Eu deixo apenas para aquelas que eu realmente gostaria de comemorar. As outras eu ignoro. Então, se você recebeu uma mensagem minha, considere-se na minha seleta lista de pessoas queridas.

Especificamente esta data eu considero especial, porque marca minha entrada na casa dos trinta e, principalmente, considero como um marco, a saída de um conturbado e apático período dos vinte.

Algo aconteceu comigo nas últimas semanas, coisa que só quem me conhece profundamente é capaz de perceber.

A minha saída da adolescência para a idade adulta foi marcada por muitas emoções. Mudança de cidade, de relacionamento, começo da carreira profissional, nascimento da filha. Cada um deles exigiu de mim um autocontrole que eu achava impossível. Em todos estas situações consegui crescer como pessoa e ter momentos maravilhosos, porém a falta de experiência me fez ficar mais fechada para o mundo. É como se eu tivesse adormecido, um estado letárgico que durou dez anos.

Muito disso se deve ao meu orgulho, que me impediu de procurar nas pessoas o suporte necessário para dividir não apenas as alegrias, mas as dificuldades. Ser Barbosa não é fácil… 😀

Eis que tudo muda quando, numa noite fria de julho, fui abandonada em casa pela mesma prima citada acima, junto com uma garrafa de Gato Negro.

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Atenção especial à placa de sinalização

Ok, antes dela já havíamos acabado com uma garrava de Concha y Toro. Mas o milagre completo só veio depois da belezinha aí de cima.

Explico (antes que a mente poluída de alguns comece a formular ideias): após ser abandonada pela prima (cujos motivos não são de interesse deste artigo), passei a conversar comigo mesma. E a coisa foi longe.

Percebi que há coisas na minha vida que eu fiz questão de aceitar como uma verdade, quando na realidade não são. Tento me convencer que eu quero algo quando na verdade não quero. Ou ao contrário, que não preciso de algo, enquanto, no fundo, anseio desesperadamente. ISSO DURANTE DEZ ANOS!

Fiz escolhas me baseando nas convicções que formei e que não condiziam com o que eu queria e que, no final, me afundaram mais nesse estado letárgico. Isso tende a levar qualquer tipo de relação, seja com amigos, namorado, filha, ao fracasso. E era nesse estágio que eu estava chegando, ao ponto de me achar uma péssima mãe e, principalmente, péssima namorada/esposa. E o que dizer dos amigos abandonados? A sensação que eu tinha era a de não ter saído dos 19, 20 anos. Atitudes, pensamentos, tudo estava parado no tempo.

O trem é mais complicado do que parece. Eu tinha consciência, há muito tempo, de que as coisas não andavam boas para mim. Só que uma coisa é você saber que tem problemas, outra é saber solucioná-los. E nesse ponto eu sempre falhei. Já estava achando que só mesmo uma ajuda profissional fosse capaz de me salvar.

Por que o Gato Negro foi importante? Porque tem coisas que só uma boa bebedeira é capaz de fazer por alguém. Se bem aproveitado, o álcool faz milagres. E é isso que eu estou sentindo, como se um milagre tivesse acontecido na minha vida.

Passei a enxergar as coisas de outro ângulo, percebendo que eu estava acabando comigo mesma e levando junto todos ao meu redor. Hoje me sinto tão bem, feliz, em paz e principalmente determinada.

Decidi fazer as coisas que deixei por não ter dinheiro, tempo ou simplesmente por ter me convencido de que não era necessário. Mas é. Os próximos anos podem ser [mais] difíceis financeiramente, podem me custar mais do que dinheiro, mas vai ser para o meu bem e, consequentemente, para o da minha família.

Infelizmente tem coisas que quero que não dependem só de mim. Para essas, cabe a mim achar uma forma de convencer os envolvidos a terem o mesmo desejo que eu. Tarefa árdua, que há poucos meses eu acharia impossível, hoje não mais.

A conversa parece de maluco, não quero contar meus planos antes do tempo para não “melar”. Se tudo der certo, e parece que vai, em poucas semanas eu volto para contar tudo.

Ainda não descarto a ajuda profissional. Um bom psicólogo pode fazer deste momento a revolução da minha vida. Não quero perder o entusiasmos, quero aproveitar para fazer da minha vida tudo o que eu planejei. Mesmo com um pequeno atraso de uma década.

Fazer 30 anos parece que não é apenas uma mudança de dezenas. Sinto que finalmente deixei de ter 19 anos e definitivamente aceitei minha idade real.

Bem vinda ao mundo adulto!

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A socialização e seu custo

Quanto custa manter uma vida social?

Recentemente tive um momento de reflexão sobre este assunto. Em meu antigo emprego, eu trabalhava a maior parte do tempo em casa e a maioria dos meus contatos eram feitos pela internet. A interação com os cliente era pequena e não havia uma necessidade de estabelecer relações de amizade. Com o tempo elas surgiam, mas não eram obrigatórias, pois eles só me chamavam quando necessitavam de mim, não havia um convívio.

Depois de alguns anos nessa rotina, decidi voltar a trabalhar dentro de uma empresa. O convívio social aumentou absurdamente. Junto com ele vieram as festinhas, os encontros, happy-hours e afins. Resultado disso é que meus gastos com estas pequenas reuniões aumentaram demais.

Não é necessário sair da empresa. Um café compartilhado, uma rifa para angariar fundos para formatura, bingos, quitutes dos mais diversos, tudo a um preço muito baixo, mas que no final das contas fecham num alto valor, principalmente para quem não tem muito controle. Ainda bem que não sou desse tipo.

Esta situação faz parte do dia-a-dia, é o que permite um relacionamento além do que é exigido pelas funções da empresa. Participar tem seu custo, não participar também, pois perde-se a oportunidade de se conhecer melhor as pessoas com quem trabalhamos e, quem sabe até, fazer bons amigos.

Outro fator positivo é que as pessoas se tornam mais dispostas a ajudar aquelas com quem se identificam. Ou seja, se há alguém que não colabora muito com o seu trabalho, com um contato pessoal maior, pode ser que ela se sinta mais disposta a resolver seus problemas.

Esta situação é boa para os funcionários e para a empresa. Faz com que a interação aumente e as situações de atrito diminuam. No final todos saem ganhando, menos o seu bolso. 🙂

Passado algum tempo nesta situação e tendo conhecido o outro lado, posso garantir que não pretendo voltar tão cedo ao home-office. Os gastos, se bem controlados, são mais que bem vindos.