Biblioteca digital

Eu escrevi anteriormente sobre tablets e sua utilidade na minha vida. Como disse, não curto e não pretendo ter um tão logo. Minha filha tinha um, que acabou quebrando e não faz falta nenhuma na nossa vida. O mesmo não posso dizer do Kindle.

Três Sete meses após recebê-lo de presente do maridex, o Kindle passou a fazer parte da minha vida. Não consigo mais sair de casa sem ele. Outro dia mesmo fui assistir a um festival da escola da filha e a primeira coisa que pensei foi no que levaria para me distrair enquanto as apresentações não começassem. Obviamente que, neste caso, como estava muito bem acompanhada, deixei o leitor em casa, mas quando saio sozinha ele sempre está na bolsa.

Quando recebi o presente, o marido tinha acabado de escreve seu primeiro livro, que será lançado em breve. Aproveitei para lê-lo e, de uma só vez, experimentar o novo aparelho, aproveitando para testar o formato digital diagramado por ele.

Em seguida, um amigo nos “presenteou” com um CD contendo alguns e-books. Confesso que, neste momento, tivemos uma discussão séria em casa, para definirmos exatamente o que fazer, pois entre os livros havia alguns que não eram domínio público.

No Brasil, os direitos autorais de uma obra são assegurados por 70 anos após a morte do autor, ou seja, a partir do primeiro dia do septuagésimo primeiro ano de morte, suas obras tornam-se domínio público. Em 2014 entraram nesta lista os autores que faleceram em 1943. Se você quiser saber mais sobre domínio público acesse este link.

Domínio_Público

Curiosidade: dia 01 da Janeiro é considerado o dia do domínio público. Existe um site para comemorar esta data, o Public Domain Day, onde são listados todos os autores que caíram nesta categoria ano a ano, a partir de 2010. Traz também um mapa mundi que exibe graficamente as leis de direitos autorais ao redor do globo terrestre.

No Brasil, o governo mantém o Portal Dominio Publico, que relaciona diversos tipos de mídias, como textos, imagens, vídeos e sons, em diversos idiomas. São mais de 150 mil textos, incluindo a obra completa de Machado de Assis, quase 12 mil imagens, 2540 sons e 867 vídeos (pesquisa atualizada no dia 08/03/2014).

Existe uma discussão mundial sobre qual seria o tempo ideal dos direitos autorais. Nos Estados Unidos, por exemplo, as leis são atualizadas constantemente em benefício da Disney. Segundo Hudson Carvalho Bianchini, a Disney gasta milhões por ano para garantir que suas personagens não caiam em domínio público (leia o artigo completo aqui – atualização em 08/03/2014: o domínio está fora do ar). Hoje, as leis americanas garantem por 95 anos os direitos da obra. A lei que assegurou mais 25 anos de extensão dos direitos é chamado Mickey Mouse Act (nome real Copyright Term Extension Act – artigo em inglês).

Logotipo do movimento de oposição à lei de extensão dos direitos autorais nos Estados Unidos.
Logotipo do movimento de oposição à lei de extensão dos direitos autorais nos Estados Unidos

Da mesma forma que aconteceu com o mercado musical, estamos vendo agora um crescimento do número de casos de pirataria literária. Com pouco tempo e uma simples pesquisa na internet, é possível encontrar blogs que distribuem gratuitamente cópias de livros que não se enquadram como domínio público.

É possível ter uma biblioteca digital repleta de excelentes obras. Nomes como Julio Verne, Alexandre Dumas, os Irmãos Grimm, Arthur Conan Doyle, entre outros, podem fazer parte do acervo de qualquer um, sem custo. Já as obras mais recentes podem ser adquiridas em sites como a Amazon ou mesmo através do Google Play, para quem tem celular com SO Android. Existem obras distribuídas gratuitamente e, não é via de regra, os livros digitais tendem a ser mais baratos que os exemplares impressos.

Se formos considerar a imensidão de obras já em domínio público, é praticamente impossível uma pessoa esgotar todas as possibilidades de leitura. Porém, reconheço que existem pessoas que não encontram seu estilo preferido entre essas obras. Isto não é desculpa para infringir a lei. É possível, sim, com pouco recurso, montar uma biblioteca digital de fazer inveja em muita gente.

Abaixo segue uma lista dos principais nomes que já se encontram em domínio público (lista selecionada de acordo com o meu gosto).

Autores nacionais: 

  • Casimiro de Abreu
  • Euclides da Cunha
  • José de Alencar
  • Eça de Queirós
  • Machado de Assis
  • Álvares de Azevedo
  • Raul Pompéia
  • Rui Barbosa
  • Tomáz Antônio Gonzaga
  • Olavo Bilac
  • Lima Barreto
  • Alcântara Machado
  • Aluísio Azevedo
  • Castro Alves
  • Gonçalves Dias
  • Artur Azevedo
  • Augusto dos Anjos
  • Camilo Castelo Branco

Autores estrangeiros:

  • Julio Verne
  • Stefan Zweig
  • Emily Brontë
  • Alexandre Dumas
  • F. Scott Fitzgerald
  • Franz Kafka
  • Arthur Conan Doyle
  • Agatha Christie
  • Alphonse de Lamartine
  • Aristóteles
  • Bram Stocker
  • Charles Dickens
  • Dante Alighieri
  • Edgar Allan Poe
  • Emily Brontë
  • Dostoievski
  • Fernando Pessoa
  • Voltaire
  • Nietzsche
  • Galileu Galilei
  • Irmãos Grimm
  • James Joyce
  • Goethe
  • Tolstói
  • Lewis Carroll
  • Camões
  • Miguel de Cervantes
  • Oscar Wilde
  • Platão
  • Victor Hugo
  • Shakespeare
  • Winston Churchill

Portanto, se você tem obras em formato digital desses autores e não pagou nada por elas, não se preocupe. Se está interessado em alguma, sinta-se à vontade para procurar pela Internet. Se encontrar, pode baixar sem nenhuma culpa. Ou ainda, se você comprou algum livro desses autores, não fique chateado, existem excelentes edições publicadas por boas editoras que valem o preço que pagamos, principalmente as obras traduzidas.

Outras referências sobre o assunto:

Os motivos para eu cortar o cabelo

Parece um tema fútil para um artigo. E se você concorda, provavelmente é homem. Porém, se é casado ou tem namorada, pode ter percebido qual a relação que uma mulher tem com o seu cabelo. Se você é mulher e também acha o assunto irrelevante, tem duas opções: parar por aqui ou permitir que eu explique os motivos de ter perdido um bom tempo redigindo este texto e, talvez, convencê-la de que o assunto é qualquer coisa, menos fútil.

(…)

Pois bem, se você chegou até aqui, presumo que optou pela segunda opção.

A história

Desde muito pequena, meus pais mantinham meus cabelos curtos e, até neste ponto, concordo plenamente com eles. Uma garotinha com longos cabelos bem cuidados é linda, mas ela provavelmente sofre desnecessariamente. Quando tiver na idade de frequentar a escola, talvez o sofrimento só aumente, devido ao calor e à proliferação de piolhos.

Mas toda menina quando chega em uma certa idade, por volta dos oito, nove anos, resolve querer ter os fios longos, talvez influenciada pela mãe ou algum parente próximo. Isso aconteceu comigo, mas com um agravante: tenho muito cabelo e ao lavá-los, demoram a secar. Como eu praticava esporte, lavar à noite nunca agradou a minha mãe.

Eis que, então, sendo início dos anos 90, fase da lambada e do cabelo a lá Chitãozinho e Xororó, famoso “mullet”, minha mãe resolve cortar minhas madeixas bem ao estilo Cláudia Raia em Sassaricando.

Capa do disco da trilha sonora internacional
Capa do disco da trilha sonora internacional

Imaginem a felicidade da pessoa aqui. Um corte desse em um cabelo liso, sem permanente. Se nela já era esquisito, imagine em mim. Portanto, a partir deste episódio, depois de muito sofrimento para eliminar qualquer vestígio do desastre, resolvi que manteria meus fios bem compridos. E durante muito tempo a história foi sempre a mesma: sem mudanças drásticas, uma franja aqui, um desfiado ali, mas não mais curto que no meio das costas.

E quando a gente muda?

Ajuda muito você ter um cabelo natural que é elogiado sempre. É mais uma desculpa para manter como está. Time que está ganhando não se mexe, certo? Só que vinte anos depois, passada a adolescência, vivendo uma relação estável, uma filha, a faculdade, enfim, toda a bagagem que os trinta anos de vida acumula, me fez sentir uma necessidade de mudar. E a mudança na mulher começa pelos cabelos.

1. A imagem é tudo

Se você conferir a foto do blog, vai perceber que meus cabelos eram realmente longos. Quem me conhece pessoalmente também sabe. E nos últimos meses, devido a preguiça e ao relaxo, chegaram e ficar absurdamente compridos. Desnecessariamente compridos. A imagem que eu passava era de uma pessoa completamente desleixada. A desculpa de que o cabelo comprido dá menos trabalho, que não precisa de corte, funciona muito bem se você tem um espelho em casa. Ou se você quer se iludir. Neste ponto, não precisaria ser tão radical, bastava tirar alguns bons centímetros e adotar um corte moderno e a situação estaria resolvida. Mas algo em mim não queria fazer isso.

2. Quebra de paradigmas

Já faz algum tempo que o cabelo curto chama minha atenção. Começou com a Giovanna Antonelli em Da Cor do Pecado, depois a Tais Araújo abandonando o lindo megahair usado na novela Cheias de Charme e, recentemente, Sophie Charlotte em Sangue Bom. Mas da admiração para a adoção é um passo e tanto. De achar que não combina com meu estilo a simplesmente deixar vinte anos de cuidados de lado, me parecia loucura de repente aparecer com um corte desses.

3. Necessidade de mudar

O cabelo longo significava, principalmente, uma recordação dos tempos da adolescência. Algo em mim não acreditava que tantos anos haviam se passado e a mente insistia em acreditar que nem fazia tanto tempo assim. Passei por todas as “certezas” incorretas que a maioria das mulheres acreditam: cabelos longos trazem a imagem de jovialidade. E o que é pior: acreditar que os elogios recebidos são verdadeiros.

Pode ser que alguns até sejam, mas o que aprendi foi que, se você é diferente, vai chamar a atenção e existem pessoas que sentem necessidade de comentar o fato. Aprendi também que o melhor conselho é aquele que o meu espelho me dá. Se ele me passa uma imagem satisfatória, posso ficar despreocupada. Porém, se acho que pode melhorar, preciso correr atrás a satisfazer esta necessidade.

Junta-se a isto o fato de eu finalmente me identificar com a idade que tenho. Aceitar os anos passados e a certeza de que a vida estava acontecendo e eu não aproveitava como deveria. É um trabalho difícil, ainda mais sozinha como fiz, mas totalmente necessário para não me tornar infeliz.

Hoje posso me olhar no espelho e reconhecer a pessoa que aparece nele. É curioso, mas isto não acontecia e era o que mais me assustava. Me libertei de uma crença e do medo da mudança. Não sou mais a mesma tanto no tamanho quanto na cor.

4. E agora?

Agora eu posso decidir o que fazer, experimentar coisas novas, mudar o visual quando quiser, estou pronta para descobrir o que me faz mais feliz. Vou realizar todos os meus desejos, loira, morena, ruiva, chanel, desfiado, alongado, enfim, tudo que eu achar que pode me fazer bem.

Há quem não aprove e eu respeito e dou valor à opinião. Mas o que todos precisam entender é que este é um momento de redescoberta, faz parte do meu crescimento pessoal. Pode ser apenas uma mudança visual, mas foi capaz de fazer alguns não me reconhecerem e de causar situações inusitadas, divertidas e agradáveis.

É assim que eu quero a minha vida: intensa, mas jamais pesada. Gosto de ser o centro das atenções e já faz pelo menos uns cinco meses que consegui, de uma forma diferente, ser o assunto da semana.

Posso considerar este passo como o início de um processo de autoconhecimento e aceitação. É o primeiro passo para tirar de dentro de mim a pessoa aprisionada durante tantos anos. Está me fazendo um bem danado e espero, do fundo do meu coração, que não pare por aí. Ainda há muito o que descobrir e mudar, mas o primeiro passo foi dado e não consigo expressar aqui o quanto isso está me fazendo bem.

Gostaria de poder transmitir a todos a sensação que sinto hoje ao escrever este texto e reconhecer a grande mudança realizada. E desejo, sinceramente, que esta minha atitude sirva de exemplo para pessoas na mesma situação.

Chega pra lá 2013…

… porque 2014 já se espalhou.

Ufa! Que bom que acabou. Porque, oh ano difícil!

Há pessoas que acreditam que a vida é um ciclo, tempestade e bonança. Para mim é uma continuação. Tudo é uma consequência, um ano ruim você corre atrás e tenta fazer melhor, um ano bom você deixa tudo à rédea solta e (pode ser que) acabe desaguando em outra temporada desanimadora. Causa e consequência.

Aquela paradinha de fim de ano sempre me dá muita agonia. Todo mundo tirando férias, viajando, comendo até se empanturrar, para depois sentir culpa, tirando milhares de fotos para fazer inveja (porque, no fundo, é para isso que as redes sociais existem). Depois vêm as resoluções para o ano novo: comer e gastar menos, estudar e relaxar mais, blá, blá, blá. Academia nessa época nem dá para frequentar, todo mundo correndo atrás do prejuízo.

É importante termos essa pausa para pensarmos na vida, fazer uma faxina no guarda-roupa, nos papéis entulhados e, não menos importante, nas redes sociais. Penso nas pessoas como pilhas recarregáveis, uma hora precisam deixar de ser usadas para renovar as energias. Faz parte da nossa natureza parar, respirar fundo e seguir em frente.

Só que eu continuo tendo problemas com o fim de ano. Sou do contra, assumo. Prefiro visitar lugares turísticos na baixa temporada e fazer as coisas quando ninguém mais está fazendo. Porque eu gosto de ser diferente. Se tem algo que me tira do sério é  fila e lugar lotado, o que não falta nessa época. E acima de tudo esse clima de festividades me soa falso.

As minhas resoluções já estavam definidas desde agosto. Faz parte de um período de autoconhecimento e transformação que ainda está em processo. Desejos que estava guardados lá no fundo e muito bem embalados, ao ponto de quase chegar a esquecê-los, foram redescobertos e novos planos surgiram para colocá-los em prática. Porque eu sentia que alguma coisa me incomodava, mas não sabia o quê.

Confesso que estou muito feliz agora que sei que eles existem. Mesmo que os planos saiam do controle e por motivos diversos não se realize, sei que posso tentar novamente e não descansar até me sentir realizada. Não precisei de férias, nem de uma viagem, só um bom vinho e minhas divagações.

Se o ano que passou foi difícil, este continua como o outro terminou. Mas a vantagem é que ele começa como eu gostaria. Apesar da dificuldade, da correria e dos compromissos, ele está mais leve, porque foi assim que decidi e assim está acontecendo.

É muito bom você ser dona do seu futuro. O carnaval passou, então como manda a tradição, já posso dizer que seja muito bem vindo 2014!

PS: Este post está decididamente atrasado, pelo menos uns dois meses, confesso. Mas é para não perder o costume. 😛