Os motivos para eu cortar o cabelo

Parece um tema fútil para um artigo. E se você concorda, provavelmente é homem. Porém, se é casado ou tem namorada, pode ter percebido qual a relação que uma mulher tem com o seu cabelo. Se você é mulher e também acha o assunto irrelevante, tem duas opções: parar por aqui ou permitir que eu explique os motivos de ter perdido um bom tempo redigindo este texto e, talvez, convencê-la de que o assunto é qualquer coisa, menos fútil.

(…)

Pois bem, se você chegou até aqui, presumo que optou pela segunda opção.

A história

Desde muito pequena, meus pais mantinham meus cabelos curtos e, até neste ponto, concordo plenamente com eles. Uma garotinha com longos cabelos bem cuidados é linda, mas ela provavelmente sofre desnecessariamente. Quando tiver na idade de frequentar a escola, talvez o sofrimento só aumente, devido ao calor e à proliferação de piolhos.

Mas toda menina quando chega em uma certa idade, por volta dos oito, nove anos, resolve querer ter os fios longos, talvez influenciada pela mãe ou algum parente próximo. Isso aconteceu comigo, mas com um agravante: tenho muito cabelo e ao lavá-los, demoram a secar. Como eu praticava esporte, lavar à noite nunca agradou a minha mãe.

Eis que, então, sendo início dos anos 90, fase da lambada e do cabelo a lá Chitãozinho e Xororó, famoso “mullet”, minha mãe resolve cortar minhas madeixas bem ao estilo Cláudia Raia em Sassaricando.

Capa do disco da trilha sonora internacional
Capa do disco da trilha sonora internacional

Imaginem a felicidade da pessoa aqui. Um corte desse em um cabelo liso, sem permanente. Se nela já era esquisito, imagine em mim. Portanto, a partir deste episódio, depois de muito sofrimento para eliminar qualquer vestígio do desastre, resolvi que manteria meus fios bem compridos. E durante muito tempo a história foi sempre a mesma: sem mudanças drásticas, uma franja aqui, um desfiado ali, mas não mais curto que no meio das costas.

E quando a gente muda?

Ajuda muito você ter um cabelo natural que é elogiado sempre. É mais uma desculpa para manter como está. Time que está ganhando não se mexe, certo? Só que vinte anos depois, passada a adolescência, vivendo uma relação estável, uma filha, a faculdade, enfim, toda a bagagem que os trinta anos de vida acumula, me fez sentir uma necessidade de mudar. E a mudança na mulher começa pelos cabelos.

1. A imagem é tudo

Se você conferir a foto do blog, vai perceber que meus cabelos eram realmente longos. Quem me conhece pessoalmente também sabe. E nos últimos meses, devido a preguiça e ao relaxo, chegaram e ficar absurdamente compridos. Desnecessariamente compridos. A imagem que eu passava era de uma pessoa completamente desleixada. A desculpa de que o cabelo comprido dá menos trabalho, que não precisa de corte, funciona muito bem se você tem um espelho em casa. Ou se você quer se iludir. Neste ponto, não precisaria ser tão radical, bastava tirar alguns bons centímetros e adotar um corte moderno e a situação estaria resolvida. Mas algo em mim não queria fazer isso.

2. Quebra de paradigmas

Já faz algum tempo que o cabelo curto chama minha atenção. Começou com a Giovanna Antonelli em Da Cor do Pecado, depois a Tais Araújo abandonando o lindo megahair usado na novela Cheias de Charme e, recentemente, Sophie Charlotte em Sangue Bom. Mas da admiração para a adoção é um passo e tanto. De achar que não combina com meu estilo a simplesmente deixar vinte anos de cuidados de lado, me parecia loucura de repente aparecer com um corte desses.

3. Necessidade de mudar

O cabelo longo significava, principalmente, uma recordação dos tempos da adolescência. Algo em mim não acreditava que tantos anos haviam se passado e a mente insistia em acreditar que nem fazia tanto tempo assim. Passei por todas as “certezas” incorretas que a maioria das mulheres acreditam: cabelos longos trazem a imagem de jovialidade. E o que é pior: acreditar que os elogios recebidos são verdadeiros.

Pode ser que alguns até sejam, mas o que aprendi foi que, se você é diferente, vai chamar a atenção e existem pessoas que sentem necessidade de comentar o fato. Aprendi também que o melhor conselho é aquele que o meu espelho me dá. Se ele me passa uma imagem satisfatória, posso ficar despreocupada. Porém, se acho que pode melhorar, preciso correr atrás a satisfazer esta necessidade.

Junta-se a isto o fato de eu finalmente me identificar com a idade que tenho. Aceitar os anos passados e a certeza de que a vida estava acontecendo e eu não aproveitava como deveria. É um trabalho difícil, ainda mais sozinha como fiz, mas totalmente necessário para não me tornar infeliz.

Hoje posso me olhar no espelho e reconhecer a pessoa que aparece nele. É curioso, mas isto não acontecia e era o que mais me assustava. Me libertei de uma crença e do medo da mudança. Não sou mais a mesma tanto no tamanho quanto na cor.

4. E agora?

Agora eu posso decidir o que fazer, experimentar coisas novas, mudar o visual quando quiser, estou pronta para descobrir o que me faz mais feliz. Vou realizar todos os meus desejos, loira, morena, ruiva, chanel, desfiado, alongado, enfim, tudo que eu achar que pode me fazer bem.

Há quem não aprove e eu respeito e dou valor à opinião. Mas o que todos precisam entender é que este é um momento de redescoberta, faz parte do meu crescimento pessoal. Pode ser apenas uma mudança visual, mas foi capaz de fazer alguns não me reconhecerem e de causar situações inusitadas, divertidas e agradáveis.

É assim que eu quero a minha vida: intensa, mas jamais pesada. Gosto de ser o centro das atenções e já faz pelo menos uns cinco meses que consegui, de uma forma diferente, ser o assunto da semana.

Posso considerar este passo como o início de um processo de autoconhecimento e aceitação. É o primeiro passo para tirar de dentro de mim a pessoa aprisionada durante tantos anos. Está me fazendo um bem danado e espero, do fundo do meu coração, que não pare por aí. Ainda há muito o que descobrir e mudar, mas o primeiro passo foi dado e não consigo expressar aqui o quanto isso está me fazendo bem.

Gostaria de poder transmitir a todos a sensação que sinto hoje ao escrever este texto e reconhecer a grande mudança realizada. E desejo, sinceramente, que esta minha atitude sirva de exemplo para pessoas na mesma situação.

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