Retrospectiva literária 2013

Well, well… um ano acabou, o outro começou, já está quase no meio, mas como é de praxe, cá estou eu para fazer uma análise de tudo que li durante o findo período.

2013, apesar dos seus problemas, foi um ano muito bom no contexto literário. Nada menos que 58 livros lidos. Isso mesmo! Uma quantidade enorme de histórias, mais de uma por semana. A justificativa vou apresentar a seguir.

Existem duas principais razões para o número elevado de leituras: a primeira delas é o fim da faculdade. O objetivo foi correr atrás do tempo perdido e ler tudo o que fosse possível e que estava ao meu dispor. A lista era enorme e continua sendo acrescida, mas consegui encontrar um equilíbrio entre o desejo e a possibilidade da leitura.

O segundo motivo foi muito agradável, ganhei de presente do maridex um Kindle.

A meta para 2013 era de 24 livros lidos, quantidade estabelecida de acordo com o que li em 2012 (e que você pode conferir aqui, aqui e aqui). Pois é, são três posts diferentes para escrever sobre 24 livros. Tarefa tediosa de fazer, quanto mais de ler.

A ideia era fazer uma resenha para cada um deles, mas não consegui. Alguns, para falar a verdade, nem mereciam. Outros, pensei muito no que escreveria e acabou passando da hora. Resultado: pouquíssimas publicações.

Seguindo assim, acreditei ser capaz de fazer uma sinopse de cada um deles nesta retrospectiva. Porém, se para 24 livros eu tive que dividir em três posts, para 58 ficaria inviável e cansativo.

Portanto, este ano resolvi fazer diferente, vou classificar as leituras pela nota dada e, se ele tiver resenha publicada aqui no blog, coloco o link para quem se interessar.

Não sei se fui boazinha esse ano, ou se escolhi melhor as histórias, mas nenhuma foi classificada com apenas uma estrela. Comecemos, então, pelas leituras regulares:

2 estrelas:

  • Aventura em Bagdá – Agatha Christie
  • Onde Está Teresa? – Zíbia Gasparetto
  • O Símbolo Perdido – Dan Brown
  • O Xangô de Baker Street – Jô Soares

Já no quesito “não decepcionou, mas também não emocionou”, a lista é um pouco maior:

3 estrelas:

  • Coma – Robin Cook
  • Os Crimes ABC – Agatha Christie
  • O Segredo de Luísa – Fernando Dolabela
  • Grandes Vidas, Grandes Obras – Vários autores
  • As Esganadas – Jô Soares
  • Impérios Acidentais – Robert X Cringely
  • Comédias Para Se Ler na Escola – Luis Fernando Veríssimo
  • Ponto de Impacto – Dan Brown
  • Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor? – Allan Pease, Barbara Pease
  • As Mentiras Que os Homens Contam – Luís Fernando Veríssimo
  • A Cabeça de Steve Jobs – Leander Kahney
  • Morte Súbita – J. K. Rowling
  • Gossip Girl: As Delícias da Fofoca – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Você Sabe que me Ama – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Eu Quero Tudo! – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Eu Mereço! – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Do Jeito que Eu Gosto – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: É Você que Eu Quero – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Ninguém Faz Melhor – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Nunca Mais – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Vai Sonhando – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl : Eu Não Mentiria Pra Você – Cecily Von Ziegesar
  • Gossip Girl: Não Me Esqueça – Cecily Von Ziegesar
  • Um Cappuccino Vermelho – Joel G. Gomes

Abaixo, os que prometeram, mas deixaram uma pontinha de incerteza, seja na narrativa, no enredo, ou mesmo na minha expectativa. Ou ainda por eu achar injusto comparar com outras obras melhor classificadas:

4 estrelas

  •  Átila, o Flagelo de Deus – Thomas B. Costain
  • Amor de Salvação – Camilo Castelo Branco
  • O Exorcista – William Peter Blatty
  • Casais Inteligentes Enriquecem Juntos – Gustavo Cerbasi
  • Oportunidades Disfarçadas – Carlos Domingos
  • O Colapso do Universo – Isaac Asimov
  • Eu, Robô – Isaac Asimov
  • Contos – Machado de Assis
  • A Visita Cruel do Tempo – Jennifer Egan
  • Olhai os lírios do campo – Érico Veríssimo
  • Contos Mineiros – Vários autores
  • O Outro Lado da Meia-Noite – Sidney Sheldon
  • Amar se Aprende Amando – Carlos Drummond de Andrade
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias – Júlio Verne
  • Os Sete Minutos – Irving Wallace
  • Capitães da Areia – Jorge Amado
  • O Ancião Que Saiu Pela Janela e Desapareceu – Jonas Jonasson
  • Da Terra À Lua – Júlio Verne
  • O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
  • A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra – Robin Sloan
  • A Lenda dos Guardiões: A Captura – Kathryn Lasky

E, finalmente, as melhores leituras do ano:

5 estrelas:

  • A Dança dos Dragões – J. R. R. Martin
  • O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel Garcia Márquez
  • O Seminarista – Rubem Fonseca
  • O Doutor Jivago – Boris Pasternak
  • O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
  • Drácula – Bram Stoker
  • Doutor Proktor: o Pó de Soltar Pum – Jo Nesbø
  • O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas

Sinto uma pontinha de tristeza ao perceber que só fiz cinco resenhas, duas delas inclusive só saíram este ano. Queria fazer mais e podia ter feito, mas agora não dá mais. Este ano não vai ser diferente, apesar dos compromissos e da falta de tempo, as leituras estão caminhando, já as resenhas… nenhuma até agora. Mas, é claro, se alguém se interessar em saber mais sobre algum da lista acima, deixe mensagem que eu arrumo um tempinho especial para escrever. 😉

Para completar a lista, o 58ᴼ livro é o do marido, cujo título é “Viagem a Pindorama”. O lançamento está marcado para dia 08/05 e a primeira tiragem já está pronta! A pré-venda está sendo feita pela livraria Letras & Livros, valor: R$ 45,00 por R$ 39,90 (para os nomes na lista de pré venda). O endereço é: Avenida Sinhá Moreira, número 151 loja 7. Contatos: (35) 9831-2355 ou livrarialetraselivros@yahoo.com.br.

No blog do marido, Laboratórios ACME, você pode encontrar mais detalhes sobre o livro, incluindo os cinco primeiros capítulos, e ainda maiores informações sobre a noite de lançamento. Te espero lá!

 

Resenha: O Seminarista

Tenho repensado a forma de fazer minhas resenhas. A partir de agora vou tentar analisar separadamente os vários aspectos da obra, tais como: enredo, estilo do autor, tradução – quando houver -, capa e qualidade da impressão. Obviamente que estou falando de obras impressas, as que leio em formato digital não dá para falar de todos estes quesitos, mas acredito que este novo formato possa ser mais útil, uma vez que o livro não é composto somente de uma história e que de uma edição para outra muda-se muita coisa.

Capa do Livro O SeminaristaPois bem, a obra escolhida desta vez foi “O Seminarista”, de Rubem Fonseca. Tenho que admitir aqui que até então nunca tinha ouvido falar neste autor. “Minerin de Giz di Fora”, formado em Direito pela UFRJ, trabalhou como policial até se licenciar para se dedicar aos estudos e, posteriormente, à literatura, escrevendo, além de livros, roteiros cinematográficos.

Sua obras são conhecidas por misturar fatos históricos à ficção. Adota um estilo direto, seco, áspero e sem rodeios para falar de violência, sensualidade e solidão, o que fica bem claro já na primeira leitura. Com “O Seminarista” não é diferente.

O protagonista se chama José, ex-seminarista que gosta de poesia, vinho e rock. Considera-se um homem simples, a começar pelo nome, acredita que a mãe já pressentira isto e, portanto, deu-lhe um nome comum.

O que não é simples, nem comum na vida de José é o seu trabalho: assassinato por encomenda. Isso mesmo, ele ganha a vida como matador de aluguel. Apesar dos riscos da profissão, ele conseguiu não chamar a atenção durante anos e, por isso, é considerado um dos melhores. Mas ele decide se aposentar e viver sossegado, se é que é possível que seja mais. E é nesse ponto que a história começa.

Comprei o livro numa promoção e confesso que pelo preço não dei muito crédito. Fui mais pelas indicações que li na internet, nem me dei ao trabalho de ler a sinopse. O título me chamou a atenção, mas eu não entendia o por quê. Até que recentemente li a resenha do André Gazola (do Lendo.org) e descobrir o motivo: O Seminarista me lembra O Ateneu, O Mulato, Os Sertões e tantas outras obras literárias brasileiras largamente recomendadas no ensino médio e cursinhos pré-vestibulares. Ledo engano.

Foi um bom engano. A narrativa é em primeira pessoa, então tudo que é contado é do ponto de vista de José. Um estilo que particularmente não aprecio, mas neste caso foi uma escolha acertada. Me senti cada vez mais dentro da cabeça do protagonista, vivendo seus receios e angústias. Tudo parece ter vida, cheguei a imaginar o José na minha frente contando sua história. Em alguns momentos, parecia que ele estava me levando para um passeio, revivendo suas memórias, tipo aqueles filmes de ficção científica, onde uma pessoa entra na mente da outra e elas caminham pelas suas lembranças.

Um trecho da história:

Quando disse ao Despachante que não ia mais fazer qualquer serviço para ele, o cara ficou ainda mais branco do que era.

“Você não pode fazer isso.”

“Posso.”

“Não tome atitudes impulsivas, você vai se prejudicar.”

“Perdi o estímulo.”

“Você sempre gostou do seu trabalho…”

“Como no lindo soneto do Camões, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades… Chega uma época em que procuramos outros caminhos, entendeu? O Sêneca tem uma boa frase sobre isso, alia tentanda est via.

“Pense bem, no nosso métier as coisas não mudam. Temos responsabilidades…”

“Eu pensei bem.”

Estendi a mão para o Despachante Ele hesitou por um momento, mas apertamos as mãos em despedida. Ele continuou pálido.”

Obviamente que o trecho não contém palavras de baixo calão, que é frequente. José é real e é isso que torna a história mais interessante.

Dos livros que li em 2013, este talvez seja o que mais me impressionou, tanto pelo estilo do autor quanto pela história. Mesmo hoje, depois de alguns meses, quando penso nela, sinto a mesma ansiedade,  a mesma tensão e tantos outros sentimentos que José sentia, ou deveria sentir.

Com relação à capa, percebo que foi uma escolha acertada, é totalmente compatível com a história e com o protagonista. Até neste ponto a simplicidade está a favor do livro.

O meu exemplar é a primeira edição publicada pela Editora Agir (grupo Ediouro), tem 179 páginas. As folhas são em papel pólen, o que dá uma textura diferente, mas uma leveza que deixa o livro bom de ler.

RUBEM FONSECA: VIOLENTO, ERÓTICO E, SOBRETUDO, SOLITÁRIO — Fernanda Cardoso

Depois deste livro, posso dizer que Rubem Fonseca entrou na lista dos meus escritores favoritos e já estou ansiosa para ler o resto de suas obras. Também, o que dizer de alguém que ganhou nada mais que cinco Prêmios Jabuti e o Prêmio Camões.

Espero que, com este texto, eu tenha conseguido me redimir dos anos ignorando este fantástico escritor.

Acho que já dá para adivinhar a minha nota, né? Nota 5, sem questionamentos.

Resenha: O Doutor Jivago

Certos livros são tão difíceis de serem resenhados quanto de serem lidos. “O Doutor Jivago” entra nessa categoria com todas as honras.

Iuri Andreievitch Jivago, ou Dr. Jivago, é descendente de uma família renomada e falida. Seu pai perde toda a fortuna, deixando a família com poucos recursos. A mãe morre cedo e o pai se suicida logo em seguida, num episódio suspeito. Durante a adolescência, surpreende-se um dia ao vislumbrar de sua janela uma garota em trajes escolares e muito bela. Esta moça é Larissa Fiodorovna, ou Lara. Mas não chegam a se falar.

Lara é uma garota cuja história de vida não é nada fácil. De família muito pobre, acha-se na obrigação de ceder às vontades do amante da mãe, que por sua vez tenta suicídio ao descobrir o envolvimento entre os dois. E é neste momento que ocorre o segundo encontro entre Jivago e Lara. Mais uma vez sem trocarem uma palavra sequer.

A vida dos dois é repleta de encontros e desencontros. Cada um segue seu caminho, casam-se, têm filhos. Lara torna-se Larissa Antipova. Mas é durante a guerra que finalmente são apresentados. Ela, indo à procura do marido que, num ato de desespero, alista-se no exército. Jivago, por sua vez, é convocado a ser o médico de um destacamento.

Capa da Editora RecordEu poderia ficar aqui tentando resumir as 566 páginas desta história, mas o resumo não seria justo. Por tratar-se de um romance russo, o que por si só já define a sua complexidade, é preciso ficar atendo aos detalhes, pois além dos nomes complicados de lugares e pessoas, a quantidade de personagens é muito grande. Sem contar, claro, as variações de nomes para a mesma pessoa: Iuri é também Dr. Jivago ou Iura, Larissa Fiodorovna é também Lara Antipov. Como são denominados depende do grau de intimidade com quem estão relacionando-se no momento.

Além de ser um romance, Dr. Jivago é uma crítica política à Russia do começo do século XX. A história tem como pano de fundo guerra civil que precede a Primeira Guerra Mundial. Boris Pasternak usa as personagens dentro deste contexto para se posicionar quanto aos rumos políticos da Rússia e suas consequências para a população. É impressionante o realismo na descrição da miséria e das dificuldades enfrentadas pelo povo que mora numa região arisca, sujeita a baixíssimas temperaturas, numa época em que falta de produtos básicos, como comida e lenha para aquecer as casas.

A narrativa é intensa, repleta de encontros e desencontros, ao mesmo tempo provoca a discussão quanto aos motivos da guerra. Não é uma leitura para um final de semana, tampouco merecedora destas poucas palavras. Para fazer jus, somente recomendando veementemente a leitura, reservando um bom tempo para avaliar cada capítulo de um dos melhores romances que li até hoje. Não é atoa que rendeu a  Pasternak o Nobel de Literatura no ano de 1958, mas que também trouxe complicações para a vida pessoal.

Neste caso, a nota não poderia ser menor: Nota 5, com louvor!