Resenha: O Doutor Jivago

Certos livros são tão difíceis de serem resenhados quanto de serem lidos. “O Doutor Jivago” entra nessa categoria com todas as honras.

Iuri Andreievitch Jivago, ou Dr. Jivago, é descendente de uma família renomada e falida. Seu pai perde toda a fortuna, deixando a família com poucos recursos. A mãe morre cedo e o pai se suicida logo em seguida, num episódio suspeito. Durante a adolescência, surpreende-se um dia ao vislumbrar de sua janela uma garota em trajes escolares e muito bela. Esta moça é Larissa Fiodorovna, ou Lara. Mas não chegam a se falar.

Lara é uma garota cuja história de vida não é nada fácil. De família muito pobre, acha-se na obrigação de ceder às vontades do amante da mãe, que por sua vez tenta suicídio ao descobrir o envolvimento entre os dois. E é neste momento que ocorre o segundo encontro entre Jivago e Lara. Mais uma vez sem trocarem uma palavra sequer.

A vida dos dois é repleta de encontros e desencontros. Cada um segue seu caminho, casam-se, têm filhos. Lara torna-se Larissa Antipova. Mas é durante a guerra que finalmente são apresentados. Ela, indo à procura do marido que, num ato de desespero, alista-se no exército. Jivago, por sua vez, é convocado a ser o médico de um destacamento.

Capa da Editora RecordEu poderia ficar aqui tentando resumir as 566 páginas desta história, mas o resumo não seria justo. Por tratar-se de um romance russo, o que por si só já define a sua complexidade, é preciso ficar atendo aos detalhes, pois além dos nomes complicados de lugares e pessoas, a quantidade de personagens é muito grande. Sem contar, claro, as variações de nomes para a mesma pessoa: Iuri é também Dr. Jivago ou Iura, Larissa Fiodorovna é também Lara Antipov. Como são denominados depende do grau de intimidade com quem estão relacionando-se no momento.

Além de ser um romance, Dr. Jivago é uma crítica política à Russia do começo do século XX. A história tem como pano de fundo guerra civil que precede a Primeira Guerra Mundial. Boris Pasternak usa as personagens dentro deste contexto para se posicionar quanto aos rumos políticos da Rússia e suas consequências para a população. É impressionante o realismo na descrição da miséria e das dificuldades enfrentadas pelo povo que mora numa região arisca, sujeita a baixíssimas temperaturas, numa época em que falta de produtos básicos, como comida e lenha para aquecer as casas.

A narrativa é intensa, repleta de encontros e desencontros, ao mesmo tempo provoca a discussão quanto aos motivos da guerra. Não é uma leitura para um final de semana, tampouco merecedora destas poucas palavras. Para fazer jus, somente recomendando veementemente a leitura, reservando um bom tempo para avaliar cada capítulo de um dos melhores romances que li até hoje. Não é atoa que rendeu a  Pasternak o Nobel de Literatura no ano de 1958, mas que também trouxe complicações para a vida pessoal.

Neste caso, a nota não poderia ser menor: Nota 5, com louvor!

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