Sobre o que não entendo: moda

Como toda e qualquer pessoa que se mete a escrever, gosto de dar meu pitaco em coisas que pouco ou nada entendo. Este espaço existe para eu dar a minha opinião, seja do que for, seja qual for.

O assunto de hoje eu não entendo, mas faz parte do meu mundo feminino: moda. Portanto, se você não se interessa por esse universo, talvez este artigo não faça nenhum sentido.

Existe um divisor de águas na minha relação com a moda que chama-se “O Diabo Veste Prada”, o livro (sempre!). Antes dele, eu tinha uma noção de moda do tipo: o que todo mundo usa está na moda, o que você encontra nas lojas está na moda, então não me resta outra solução senão seguir a moda.

Depois de ler o livro (e posteriormente ver o filme), percebi que existe uma diferença muito grande entre quem dita a moda e quem faz a moda acontecer. Um exemplo clássico é o sermão que a Miranda Priestly dá em Andrea Sachs durante a entrevista de emprego, ao criticar o suéter usado pela candidata, deixando claro que para chegar ao tom certo de cor para uma coleção há um estudo criterioso que é deturpado pela massificação da indústria de bens de consumo.

Vergonha alheia: nem eu teria coragem de ir a uma entrevista de emprego assim
Vergonha alheia: nem eu teria coragem de ir a uma entrevista de emprego vestida assim

E aí é que você começa a entender que toda aquela produção exibida nas passarelas tem que ser abstraída para tornar-se “usável”. Dificilmente você verá alguém vestindo-se como as modelos. Entendo que da mesma forma que existem profissionais que criam estes moldes, os estilistas, também existem aqueles que são capazes de absorver a essência proposta pelos primeiros e transformar em produtos “da vida real”. Nem sei se esse profissional tem um nome específico, mas aprendi a reconhecer o valor dele na minha vida.

Efeito bumerangue

Hoje me deparei com este artigo do Super Vaidosa, blog da Camila Coelho, em resumo, famosa por seus tutoriais de maquiagem, que vem fazendo muito sucesso no mundo da moda também. O que me chamou a atenção é que atualmente pouco novidade está sendo criada, em sua maioria a moda está sendo reciclada, ou sendo “reinventada”.

Quem tem mais de vinte anos é capaz de reconhecer nas peças utilizadas atualmente uma apologia às que foram moda nas décadas anteriores. Tivemos os anos 70 representados pelas estampas étnicas, os tops cropped (blusinhas curtas que acabam logo acima do umbigo) e sua parceira cintura alta (calças e shorts que alcançam a cintura alta, um pouco acima do umbigo – essa eu curto!), a calça flare (mais conhecida como boca de sino), sem contar os macacões. Você certamente tem uma peça dessa no seu guarda-roupa com menos de dois anos.

Já os anos 80 são famosos pelas cores vibrantes (hoje muito classificam como “moda Restart”, aquela banda de meninos que vestiam-se exageradamente), muito neon e cabelos ao vento. Os maxi-acessórios, como colares, pulseiras e óculos, retomam a moda desse período. Vai dizer que você nunca desejou aqueles óculos espelhados?

Recentemente li por aí que é a vez da moda dos anos 90. Apesar de eu não saber muito bem qual é a moda dos anos 90, porque o que eu vi nesse período foi a falta de roupa, algumas peças destacam-se. Famosas, como Rihana e Katy Perry, andaram desfilando com gargantilhas tipo “coleira”. Elas podem ser do tipo elegante e glamouroso, com pedras e metais nobres, até mesmo aquelas que imitam tatuagem (como alguém foi capaz de inventar um trem tão feio?). Outra moda da época é o total jeans, ou seja, usar tanto a peça de baixo quanto e de cima em jeans (camisas, saias, jaquetas, entre outras). E para fechar os exemplos, os coturnos (meu Deus! Existe algo pior do que as coleiras!). Resumo da ópera: foi tarde e estão querendo ressuscitar a tragédia.

Sen-hor!
Sen-hor!

Se analisarmos os anos 2000 e a nossa década, não vamos encontrar uma moda específica. Ninguém mais cria algo novo. Tudo é copiado, reestilizado e aproveitado. Mas nenhuma novidade é apresentada. Se a bola da vez são as oversized denim jacket, em outras palavras, jaquetas em tamanho maior, logo menos elas serão esquecidas e um outro estilo será resgatado e transformado. Me sinto entrando no túnel do tempo e voltando ao circo dos horrores da minha adolescência (quanto drama! Até parece que eu sofri amargamente).

Não sou capaz de analisar se isto é tipo “a moda da vez”, ficar relembrando o que já foi, ou se é por pura falta de inspiração mesmo. Só espero que essa vibe passe rápido, porque se tem uma coisa que aprendi com a diva Miranda Priestly, é que a moda da rua é fortemente inspirada pelas passarelas, mas nem sempre da melhor forma.

O bom gosto agradece!

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