Reflexão da vida

Conversa com a filha:

Filha: Mãe, a fulana me convidou para a festa dela. Posso ir?
Eu: Quem é a fulana?
Filha: É aquela (…). Lembra?
Eu: Mais ou menos. Onde vai ser a festa?
Filha: (Endereço).
Eu: Como vai ser a festa? Almoço? Até que horas? Quem vai te levar? Tem que levar alguma coisa? Precisa combinar com a sua tia (…).

E foi através desta conversa que constatei algo que já havia me chamado a atenção um pouco mais cedo: nós, adultos, temos uma tendência a complicar as coisas. O que não é novidade para ninguém.

Na cabeça da minha filha é uma festa e ponto. Ela compra o presente e vai. Na minha é a preocupação com o lugar, com as pessoas que estarão lá, em saber a hora que começa e quando termina, entre uma infinidade de outras coisas. Me senti uma legítima mãe.

Outra situação me alertou para isso. Existe uma imagem circulou pelo Linkedin que é um pastel ao lado de um organograma. Sabemos que melhorar processo para obter melhores resultados é muito importante. Mas até que ponto burocratizar uma rotina simples traz bons resultados? Até que ponto vale criar um novo controle para o produto da sua empresa pensando que no futuro ele pode ser importante?

Seja na vida profissional ou na pessoal, temos sempre que fazer uma análise das nossas atitudes, verificando se os resultados estão sendo atingidos e o que pode ser feito para melhorar. A frequência pode variar, mas é importante passar por esse processo. Obviamente, é necessário que cada um saiba o que quer para analisar como chegar lá. Mas o fim nem sempre justifica os meios.

Uma regra geral para programadores e que sou totalmente a favor diz que quando um problema está complicado, há duas explicações: ou você não entendeu muito bem, ou a solução proposta está errada. Geralmente é a soma das duas, uma vez que a probabilidade de acertar na solução sem entender o problema é mínima.

E o que isso tem a ver com a conversa inicial com a minha filha?

Com a vida corrida dos últimos anos, muita coisa eu deixei de lado, seja nos cuidados com a família ou comigo mesma, seja na relação com meus amigos. Fiquei extremamente balançada quando uma conhecida perguntou a mim e a uma amiga quanto tempo não nos víamos. A resposta foi alguns meses, mesmo ela morando a um quarteirão de mim (pois é!). A desculpa é sempre a falta de tempo. Mas com o que eu ando gastando meu tempo?

A análise prévia é de que estou fazendo a coisa certa, mas fazendo as coisas de maneira errada. Parece complicado, né? Só parece. Essa é uma frase que li no livro “O Jeito Macintosh”, que em breve espero finalizar e fazer a resenha. A frase original é “fazer a coisa certa e fazer as coisas da maneira certa”. À primeira vista parece ser a mesma coisa, mas não é. Vou discutir isso um pouco mais na resenha (que deveria ter saído antes das minhas férias acabarem, mas o semestre já começou fervendo).

Para atingir alguns resultados, dei prioridades a coisas que não deveria e releguei a segundo plano o que seria mais importante. Seja na área financeira ou na emocional, tem muita coisa que estou deixando para depois, pensando que não é o momento certo.

O resultado disso é que não estou feliz. Então está errado. Se a vida é para ser vivida, o que estou esperando? Fazer um esforço para economizar, cortando o que não é essencial, não quer dizer que não possa, uma vez por semana, convidar um amigo e beber um vinho em casa, fazer uma comidinha simples e gostosa (nesse frio, sou adepta dos caldos). Por que não pegar a bicicleta nova que o marido me deu e fazer um passeio semanal, ir até aquele lugar no mapa que eu quero tanto conhecer? Por que não começar a academia agora, mesmo não sendo fã, para aproveitar o horário flexível, enquanto não consigo ajustar minha agenda e fazer o Pilates que tanto desejo?

São perguntas que ando me fazendo que talvez sejam o caminho para resolver uma série de problemas que estão me incomodando, mas que deixo para depois, pois nunca sei qual a melhor solução. Chegou a hora de aplicar na minha vida pessoal as técnicas de gerenciamento que venho aprendendo ao longo dos anos no trabalho. E o mais importante: documentar. Aquilo que está escrito não pode ser negado. E acredito que uma vez no papel, passará a ser uma missão. E missão dada é missão cumprida. Talvez por isso até hoje eu não tenha cumprido a promessa que faço todo ano de escrever as metas, e que seja papel de verdade, para dar a sensação de um contrato assinado.

A intenção é descomplicar aquilo que a mente insiste em complicar. Parar de arrumar desculpas para não fazer certas coisas porque estou cansada de tanto trabalhar e estudar. Dá sim para me divertir, fazer algo que goste, sem ter que gastar muito ou tomar tempo demais. É saber aproveitar o preparo de um alimento muito mais do que comer, de apreciar uma fatia de bolo sem ter que me preocupar com calorias. É reservar uma ou duas horas da semana e fazer um passeio, a pé ou de bicicleta. É ver gente, conversar, discutir boas ideias. Curtir os momentos em família, enquanto descanso de uma semana estressante, aproveitando para cuidar de quem é especial. Dá para fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, sabendo extrair o melhor de tudo.

Preciso parar de ser workaholic e me apreciar mais no espelho. E eliminar de vez a procrastinação, minha até então acompanhante indesejada.

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