Referências bibliográficas no Word

Gente.. esse post foi escrito há DOIS anos! Estava aqui nos rascunhos e eu tinha me esquecido completamente dele. 

Como o assunto é interessante, não podia deixar de compartilhar. Porém vou manter o texto como era para ser publicado na época. Situando: eu estava no quarto e último ano da faculdade, o que realmente me deu trabalho, em todos os sentidos. 

Depois de três anos de faculdade, enfim um ano que está me tirando do sério desde o início. A começar pela quantidade imensa de trabalhos que os professores andam dando. Isso sem contar situações inesperadas onde pessoas “esquecem” o que dizem e acabam nos prejudicando. Mas ao término do primeiro bimestre, pelo menos as coisas acabaram se acertando.

Para piorar a situação, como este é o último ano, as obrigações são bem maiores, estágio obrigatório (é, troquei de emprego, cansei da vida de suporte) e o temido TCC.

O ano não começou muito bem. Tivemos alguns problemas para formar a equipe e para acertar o tema do trabalho. Com estes detalhes definidos, só partir para campo, né? Ou melhor, para a programação. Ledo engano. Pesquisas, muita leitura, participação em apresentações de atividades relacionadas ao tema, enfim, muito trabalho a fazer.

Com tanta gente na equipe – este ano são cinco – fica difícil controlar formatação de documento. Muitas referências, padrões, coisas demais para nos preocuparmos. E vamos combinar, padronização de documento é algo bem chato quando não se tem paciência, que não é o meu caso. Mas dá para sofrer menos pensando um pouco mais.

Comecei a fazer a coleta de referências bibliográficas e formatação manualmente, com todo cuidado para não sair do padrão, de acordo com o tipo, etc. Mas a paciência que me sobra falta em muitos do grupo e no final a quantidade de retrabalho era absurda. Resultado: mais perda de tempo.

Eis então que o artigo Instalando referências ABNT no Word 2007, do blog TecnoSapiens iluminou todos os meus dias. Simples, fácil de instalar e pronto para usar.

O Word 2007 (e somente a partir dele), nativamente, oferece suporte para catalogação de referências bibliográficas, que podem ser utilizadas como citações através de referências cruzadas. Porém, os modelos disponíveis não correspondem às normas da ABNT. A instalação e utilização é simples, basta seguir os passos abaixo:

1. Baixe o arquivo deste link.

Este arquivo corresponde ao novo estilo para referências seguindo as normas da ABNT.

2. Salve o arquivo no caminho:

Para o Office 2007 ou 2010: %program files%\Microsoft Office\Office12\Bibliography\Style, onde %program files% é o diretório padrão de instalação de softwares no Windows (Arquivos de Programas para os sistemas em português). Office12 para 0 2007 e Office14 para o 2010.

Para o Office 2008 ou Mac: /Applications/Microsoft Office 2008/Microsoft Word.app/Contents/Resources/Style/

Pronto! O novo estilo já estará disponível para utilização. Os passos a seguir mostram como inserir as referências e como utilizar em citações.

 

3. Abra o Word.

Na guia Referências, altere o estilo para ABNT NBR 6023:2002.

referencias_abnt

4. Cadastre as referências.

Ainda na aba Referências, clique em Gerenciar fontes bibliográficas. Selecione o tipo da referência e preencha com os campos necessários. Nem todos os campos são obrigatórios, mas é importante preencher o máximo possível dos disponíveis. Também é bom ficar atento quanto às datas não definidas ou nomes de títulos. Obras com título e subtítulo devem ser informados no campo Título separados por dois pontos ( : ). Esses foi um dos macetes que só descobri tentando.

Há ainda um botão onde é possível informar os dados do autor, assim ele já deixa no padrão correto. Depois de confirmado, a citação ficará salva no Word e poderá ser usada em qualquer novo documento, aparecendo no campo Lista Mestra. Para usar no documento atual, clique em Copiar e confirme.

fonte_bibliografica

5. Insira citações através da referência cruzada.

Além da formatação dos dados da obra, o Word também formata a referência da citação. Para isso, basta inserir a referência cruzada, clicando em Inserir citação e selecionar a obra desejada. Dados como nome da obra, data e nome do autor podem ser ocultados (ao clicar sobre o texto inserido, o Word abre um menu para edição), dependendo do tipo de citação realizada (direta ou indireta). Uma vantagem é que utilizando a referência cruzada, o Word marca quais obras foram realmente referenciadas, permitindo que se exclua o que não for usado para criar uma outra lista de obras consultadas.

citacao

6. Crie a bibliografia.

Na parte do documento reservada à bibliografia, clique em Referências > Bibliografia e selecione o estilo desejado. A formatação dos campos (negrito, itálico, posições, etc.) são automaticamente configuradas pelo Word. Caso precise adicionar nova obra, basta cadastrar a fonte e atualizar a bibliografia.

bibliografia

Considerações:

O Word é uma mão na roda quando se sabe usá-lo corretamente. A lista de referências não é exceção. Porém, este estilo disponibilizado não é completo, alguns tipos de referências não funcionam ou não são formatados de forma correta. Além disso, a maioria das universidades/faculdades possui suas próprias diretrizes para elaboração de documentos científicos, com o intuito de especificar melhor o que a ABNT deixa vago. Eu mesma tive que alterar o arquivo para atender às diretrizes da minha faculdade. Portanto, mesmo que o programa faça boa parte do trabalho, é bom estudar a norma para ter uma noção e saber identificar problemas, para não chegar na apresentação e ficar com cara de pastel diante da banca avaliadora.

A falta de documentação explicando melhor os tipos ou até mesmo os não suportados é um problema. Dependendo do volume, pode ser que esta ferramenta venha a atrapalhar muito mais do que ajudar.

Um estudo da ferramenta, testes e simulações são recomendadas antes de iniciar o trabalho oficial.

E por último, novamente destaco a necessidade de estudar a norma ABNT e ficar por dentro das diretrizes do seu curso. Por mais que o trabalho seja automatizado, é sempre bom saber diferenciar o certo do errado. Com o tempo o olho se adapta e consegue identificar problemas com facilidade, mas para chegar lá é preciso fazer.

Anúncios

Catadupas, outra vez

Livros são uma paixão, uma necessidade e um vício. Quanto mais leio, mais quero ler. Eles comandam o meu humor, um livro bom me anima, o triste me deprime, mas nem por isso deixo de ler. Trabalho meus sentimentos através deles, já que a vida real anda muito corrida para se sentir algo.

A leitura atual é “Amor de Salvação”, de Camilo Castelo Branco. Há treze anos tento lê-lo e nunca consegui. Desta vez parece que vai. O texto é complicado, num português lusitano do século XVIII que faria muita gente desistir, mas que eu aprecio. E o que acho mais interessante é que hoje eu entendo por que os estudantes odeiam a literatura obrigatória do ensino médio.

“Amor de Salvação” é a história de Afonso de Teive e Teodora Palmira. Foram prometidos um ao outro na infância pelas mães melhores amigas, porém o destino faz o favor de complicar um pouco as coisas. Lá pelas tantas, sofridas as desgraças que todo romance há de conter, Teodora escreve uma longa carta a Afonso, que segundo o amigo narrador, possui muito estilo.

Transcrevo aqui um trecho desta carta:

Transbordou um dia a amargura da minha alma. Não sabia onde me levava a vertigem. Corri léguas. As árvores que gemiam um som, as fontes que tinham uma voz, os trovões que estalavam do céu de bronze, as catadupas que bramiam no despenhadeiro, tudo me dizia o teu nome. Corri as montanhas que nos viram meninos; reconheci a fraga onde nossas mães se sentavam; orei à cruz de pedra, que está na quebrada da serra. E não te vi. Dois meses te procurei, sem balbuciar o teu nome. E, quando há um ano te avistei encostado ao ombro de tua mãe, a voz do meu orgulho de desgraçada disse-me: Se ela quiser que tu te percas por ele, amanhã não terás honra, nem família, nem marido, nem criatura sobre a terra que não te insulte.

Branco, Camilo Castelo; “Amor de Salvação”, São Paulo, Editora Ática, 6ª Edição, p. 70. Grifo meu.

A citação não está normatizada.

Primeiro: como as coisas mudaram em dois séculos!

Segundo, e o motivo deste artigo: mais um exemplo da utilização da palavra “catadupa”, hoje tão desconhecida.

Terceiro: este artigo não é uma resenha, apesar da categoria.