Livros lidos – edição especial

No antigo blog que eu mantinha, a cada virada do ano, fazia parte da retrospectiva a publicação da listagem dos livros lidos no seu decorrer. Como aqui no Catadupas eu ainda não havia publicado nenhuma delas, vou fazer retroativo. Começando por 2009 até 2011. A lista andou meio pobrinha nos últimos anos por causa da faculdade. Minha meta era um livro por mês, o que está bem longe de se cumprir. Mas nunca é tarde para correr atrás do prejuízo. =)

Sem delongas, vamos aos escolhidos!

Lidos em 2009:

1. 1808 – Laurentino Gomes
2. Operação Cavalo de Troia 2 – J. J. Benítez
3. Aventuras do pudim de Natal – Agatha Chistie
4. O Caçador de Andróides – Philip K. Dick (não incluído na lista original por completo esquecimento, mas fiz uma resenha)
5. A Torre Negra 1, o Pistoleiro – Stephen King
6. A Torre Negra 2, A Escolhe dos Três – Stephen King
7. A Torre Negra 3, As Terras Devastadas – Stephen King
8. A Torre Negra 4, Mago e Vidor – Stephen King

Foi um ano muito bom. Começando por 1808 e terminando com metade da coleção A Torre Negra. Stephen King não perdeu a mão nos mais de 20 anos entre o primeiro e o último livro. Ou até o penúltimo.. =P

Da lista acima, só Operação Cavalo de Troia tem uma nota baixa na minha avaliação. A história, que hoje está no nono livro (pasmem!), é boa no primeiro capítulo, do segundo eu não gostei e parei por aí.

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Resenha: Crime e Castigo

Enfim, após quase seis meses, acabo de ler Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévsky. A demora na leitura se deu por vários fatores, falta de tempo (entre trabalho, faculdade, filha e namorado), o tipo de leitura e pouca boa vontade. Mas cheguei ao fim.

Crime e Castigo foi publicado em 1866 e traz a história de um jovem, ex-estudante universitário, morador de São Petersburgo, que resolve cometer um crime acreditando estar imune às consequências. Usando como desculpa a sua miséria e a de tantas outras pessoas ao seu redor, ele decide assassinar uma pessoa possuidora de bens e roubar o seu dinheiro para ajudar os demais. Ao escolher a vítima, Raskólhnikov acredita estar fazendo um bem para a sociedade matando um “piolho” (uma senhora agiota, que penhorava os bens dos clientes em troca de pequenos valores e cobrava altas taxas de juros).

Para a personagem, a sua miséria é a justificativa para a imunidade, afinal, apenas um ato criminoso poderá ser compensado com centenas de boas ações para com o próximo. O que Raskólhnikov não prevê é que a mente humana é mais complexa do que se pode imaginar, e após o crime a sua sentença é definida por sua própria consciência.

A leitura de Crime e Castigo é complexa, há muitos nomes russos e suas variantes (Raskólhnikov é uma variação de Rodion Románovitch, ou simplesmente Rodka para os mais íntimos), no que o autor se aproveitou para definir algumas personagens (o tradutor explica ao apresentar o personagem qual a origem do nome, que muitas vezes é escolhido especialmente para passar ao leitor o caráter da personagem). A época em que foi escrita e traduzida também faz com que a leitura seja mais difícil.

Apesar do texto ser complexo, o que para mim é um desafio que particularmente me agrada, a história é conduzida de forma fantástica. A intenção do autor de manter o suspense em toda a obra é alcançada de forma satisfatória. Até mesmo no epílogo a sensação de tensão está presente. Em nenhum momento da leitura foi possível distinguir o seu desfecho. A luta entre a razão e a loucura da personagem faz com que a leitura seja cada vez mais intensa e inesperada.

Não é a toa que Crime e Castigo é um clássico e uma obra-prima da literatura estrangeira. Merece este título do início ao fim. Para quem gosta de boa leitura e grandes desafios, está mais do que recomendado.