Resenha: Chatô, o Rei do Brasil

Falar de História é sempre bom. Mas preciso confessar, mesmo sendo filha de professora, nunca gostei muito. Provavelmente pelo mesmo motivo que a maioria: a forma de expor os fatos. Nem sempre os professores estão preparados para transformar as páginas dos livros em conteúdo interessante para o aluno. Ou ainda, a escolha do material didático não é satisfatória, talvez pela ineficiência de quem avalia, ou pela falta de opções. O público infanto-juvenil precisa ser tratado de uma forma diferenciada e poucos autores possuem essa capacidade.

Dos autores biográficos, considero Laurentino Gomes e Fernando Morais exemplos a serem seguidos. São autores que apresentam os fatos e contemporizam as análises. Do primeiro já havia lido 1808, 1822 e a edição juvenil de 1889. De Morais, nada tinha passado pelas minhas mãos, mas a lista de desejos está repleta das suas obras. É com muito prazer que escrevo uma resenha de uma obra de Fernando Morais: Chatô.

História

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, conhecido Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, paraibano de nascença e pernambucano de coração, formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, foi jornalista, empresário, político e uma das figuras públicas mais influentes entre as décadas de 1940 e 1960.

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Sua vida pessoal e profissional nunca foram tranquilas. Há sempre uma história inusitada a se contar. Casado apenas uma vez, teve três filhos, mas apenas um do casamento oficial. Da recusa em reconhecer um filho ao sequestro da filha, o relacionamento entre pai e filhos sempre foi conturbado. Além disso, tinha forte queda por mulheres e, dizem alguns, fazia pouca distinção, o que lhe trouxe pequenos inconvenientes.

Figura controversa, muitas vezes acusado de falta de ética, não media esforços para conseguir o que queria. Dotado de grande ambição e de uma visão de negócio aguçada, diziam que tudo que tocava virava ouro. Muitos de seus feitos foram conquistados graças a doações ou financiamentos. Pouco saía realmente do seu bolso. Foi capaz de construir um grande império das comunicações, chamado “Diário Associados”, mas também de contrair grandes dívidas. Devido ao seu prestígio ou ao seu lápis afiado, quase nenhuma chegava a ser cobrada.

Na política, apoiava aquele que lhe proporcionasse o que queria. Era capaz de eleger um presidente num dia e no outro depô-lo. Apoiou o amigo Getúlio Vargas nas eleições de 1930, mas logo mudou de opinião, passando a escrever artigos contra seu governo, contribuindo, assim, para o crescimento da impopularidade do governo vigente. Seu apoio e, consequentemente, de seus jornais, era disputado por quem quisesse governar, seja o país, o estado ou uma cidade. Aquele que fosse contra Chatô pouca chance tinha de se eleger. Seu poder era tamanho, que foi capaz de fazer Vargas promulgar uma lei que lhe garantisse a guarda da filha. Foi eleito duas vezes senador em eleições escandalosamente fraudulentas.

Nos negócios agia com a mesma avidez. Quando encontrava alguém que fizesse oposição ao seu comportamento ou opinião, ou ainda que estivesse tentando tomar seu espaço na mídia, tratava logo de desmerecer seu oponente. Era capaz de bisbilhotar a vida pessoal do opositor até encontrar algum “podre” que pudesse ser explorado. Quando não havia, era sua imaginação que entrava em ação. Tal comportamento lhe rendeu muito inimigos, entre eles Rui Barbosa e Rubem Braga. Se temos uma imprensa como a nossa, é graças a Chateaubriand.

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Duas áreas tiveram forte desenvolvimento no país graças a ele: as telecomunicações e a aviação civil. Ávido por novidades tecnológicas, quando era apresentado a uma, não media esforços para trazê-la ao país. Foi assim com o rádio e a televisão. Foi pioneiro nas transmissões através da criação da TV Tupi. Uma terceira contribuição de Chatô para o Brasil encontra-se nas Artes, com a criação do Museu de Arte de São Paulo (MASP), que leva o seu nome.

Faleceu em abril de 1978, aos 75 anos, devido a complicações de uma trombose, doença pela qual lutou por oito anos e que o tornou paraplégico, com dificuldade para falar e escrever. Mesmo assim, continuou publicando artigos até os últimos dias de vida. Deixou de herança um império já se esfacelando.

Narrativa

Fernando Morais apresenta a vida de Chateaubriand desde o nascimento até sua morte. São tantos detalhes e tantos fatos curiosos, que fica difícil resumir. Nomes conhecidos são apresentados a todo momento. Escritores, artistas, jornalistas, compositores e até nomes tão presentes no cenário político atual fazem parte da história. Morais é preciso ao citar fatos e pessoas, aprofundando quando é relevante. O livro é gostoso de ler, uma biografia disfarçada de romance. A vida de Chatô daria uma novela, mas ainda não consegui classificá-la, fiquei na dúvida se seria um drama ou uma comédia.

ATENÇÃO! Se você viu o filme “Chatô, o Rei do Brasil”, esqueça tudo e leia este livro. Você terá uma visão menos fantasiosa dessa figura tão icônica que foi Chateaubriand.

Edição

Esse foi um dos livros que estavam na estante da faculdade e que me chamavam toda vez. Ele é grande, são 732 páginas, mas que são consumidas com grande prazer. A edição que li é a segunda, publicada em 1994. Este ano, devido ao lançamento do filme, uma nova edição foi publicada pela Companhia das Letras.

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1ª Edição: 1994 (Fonte: internet)

Autor

Foi a primeira biografia nacional que li. E posso me considerar a mais nova fã de Fernando Morais. Sua narrativa é simples e fluida, sem termos rebuscados. A sequência dos fatos e a profundidade da narrativa é na medida certa. Ao citar um colega de trabalho, por exemplo, aprofunda-se nos detalhes apenas se for importante para entender o nível do relacionamento entre eles ou que justifique a história. O foco é, principalmente, nos fatos. Descrições físicas ou do ambiente são dadas apenas se forem relevantes.

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Fonte: internet

Numa entrevista à Carta Capital no início deste ano, Morais fala da contribuição do estilo jornalístico de Chateaubriand para as mídias atuais. Também vale a leitura.

Fonte

  • Morais, F. Chatô, o Rei do Brasil. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. ISBN: 8571643962
  • Wikipedia

Texto: Oração dos estressados

Quem usa a internet há quase dez anos, vai lembrar-se da febre das apresentações em Power Point. Confesso, meus amigos, que não abria nenhuma, a não ser um caso ou outro que o título me interessava. O texto que compartilho agora tem a sua versão .ppt ou .pps também (extensões dos arquivos gerados pelo programa da Microsoft), mas no email que recebi estava no corpo da mensagem. Aí sim eu leio!

Oração dos Estressados

Por Luís Fernando Veríssimo (autoria não confirmada pela que vos escreve)

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco.

Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho…

  • 12% na segunda-feira,
  • 23% na terça-feira,
  • 40% na quarta-feira,
  • 20% na quinta-feira,
  • 5% na sexta-feira.

E… Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém, e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar…

Que assim seja! Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último. Um dia, você acerta!

Fonte: recebido por email.

PS: hoje (quarta-feira, véspera de feriado) pode ser considerado sexta-feira? 😛