Uma mensagem a Garcia

Uma busca rápida no Google traz muitos resultados para este texto, inclusive o próprio. Escrito por Elbert Hubbard em 1899, já foi traduzido para dezenas de idiomas. Muitas pessoas já o conhecem, tamanho o seu sucesso em mais de um século de existência. Ontem fui apresentada a ele também, pelo professor da disciplina de Empreendedorismo. Não vou discutir a qualidade do texto, muito menos sua atualidade, apesar da idade, que são inquestionáveis. Uma frase em particular me chamou a atenção:

“Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.”

Esta frase me fez refletir sobre a forma com que agimos, como nossa forma de pensar nos induz a achar que pobreza é sinal de virtude. Um pouco disso deve-se, acredito eu, pelos ensinamentos religiosos, da doutrina franciscana. Não sou católica, não fui criada seguindo as crenças religiosas e portanto não tenho como discutir detalhes. Mas o que me induz a escrever este post é na verdade a postura que tomamos referente à riqueza e à pobreza.

No Brasil tem-se o pré-conceito de que se a pessoa é rica, ela é arrogante, egocêntrica e “pecadora”. Nossa cultura nos faz acreditar que ser rico é errado, que riqueza traz infelicidade, riscos, que batalhar pelos sonhos e alcançá-los é praticamente impossível e se você conseguiu é porque utilizou-se de meios ilícitos, que burlou as regras.

Cofrinho

Felizmente, já há algum tempo essa postura anda se alterando. Exemplo disso é que as universidades estão oferecendo disciplinas de empreendedorismo, quando não cursos de graduação na área. Não há um manual de como ser empreendedor. Todos nós nascemos propensos a sermos, porém nossa cultura nos limita e acabamos perdendo essa capacidade. A pessoa que é empreendedora por natureza tem mais facilidade de desenvolver suas habilidades, mesmo que a sociedade imponha regras e tente limitá-lo.

Ir contra toda um sistema não é fácil, a maioria das pessoas sequer passa pela primeira etapa. Quando se consegue transformar um sonho, uma ideia em um projeto, um grade passo já foi dado. Porém toda a burocracia, o descrédito nessas pessoas, faz com que muitos projetos nem saiam do papel. O que vemos hoje são poucos casos de pessoas que tentaram, lutaram por seus objetivos, cairam e se levantaram, para em seguida continuar correndo atrás.

Mais do que um sistema burocrático, a sociedade, na minha opinião, é quem mais prejudica. Seja a família que cobra por resultados e ainda acredita que o “emprego perfeito” está a espera, seja pela cobrança de resultados a curto prazo ou pela falta de investidores que apoiem a ideia.

Assim como acontece em muitos países, precisamos nos adaptar e mudar nosso pensamento, a forma de criar nossos filhos e de pensar nos riscos. Ganhar na Mega-Sena é o sonho da maioria, dinheiro que entra fácil e vai embora mais facilmente ainda. Outra alternativa é torcer para o Boninho ir com a sua cara ou ser excêntrico o suficiente para ser selecionado para o Big Brother e aparecer todos os dias no horário nobre da Globo e em todos os outros programas da emissora. Se for mulher, bonita (nem precisa ser tanto) e um pouco gostosa, ainda ganha uma capa da Playboy.

Lutar para conquistar um lugar ao sol, trabalhar duro para ver um sonho concretizado e colher os frutos do trabalho suado é a forma mais difícil e a mais conpensadora de se tornar uma pessoa rica. E o trabalho começa cedo, muita força de vontade, estudo e pesquisas, desejo de ver o sonho realizado e, acima de tudo, estar disposto a se arriscar, quebrar a cara, perder quase tudo, na melhor das hipóteses, e dar a volta por cima quantas vezes for necessário.